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Emissão de gases-estufa da agropecuária fica estagnada em 2013


Sexta-feira, 21 de novembro de 2014 - 16h37

As emissões brasileiras de gases de efeito estufa cresceram entre 2012 e 2013, o que é uma má notícia para o Brasil. Mas no agronegócio elas mantiveram-se estagnadas, o que pode ser uma boa notícia hoje e uma má notícia amanhã.


Segundo os dados divulgados pelo Observatório do Clima, a pecuária representou no ano passado 26,6% do total de gases-estufa liberados no país, ou 416,6 milhões de toneladas  CO2e. No ano anterior o resultado foi ligeiramente inferior, de 412,7 milhões de CO2e, o que mantém a participação agropecuária praticamente inalterada no quadro nacional.


Segundo Tasso Azevedo, coordenador do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima, a principal explicação para isso está no fato de o rebanho bovino brasileiro não ter crescido. Seja por ajustes econômicos nos ciclos de abate, avanço da agricultura sobre áreas de pastagens ou maior produtividade do animal, o número de cabeças de boi no país tem se mantido na casa de 210 milhões. Individualmente, a fermentação no estômago do gado responde pela maior parte das emissões do setor agropecuário. Com o rebanho controlado, portanto, suas emissões também ficam contidas.


O outro fator é que o crescimento nas emissões dos fertilizantes nitrogenados - o segundo maior vetor de emissões de gases-estufa no agronegócio - não foi suficiente para mexer nos resultados finais do setor. Subiu de 13,0 para 14,0 milhões de CO2e entre 2012 e 2013.


O que chama a atenção, no entanto, é o que ocorreu em outro segmento analisado pelo Observatório do Clima. O percentual de gases gerados a partir da mudança do uso da terra - ou seja, o desmatamento - continua altíssimo. No mesmo intervalo de tempo, a derrubada da floresta elevou de 466,0 milhões de CO2e para 542,0 milhões de toneladas de CO2e liberados na atmosfera, representando 34,6% do total. "O desmatamento da Amazônia e do Cerrado ainda é o maior emissor de gases-estufa do Brasil", afirma Azevedo, acrescentando que a maior parte da floresta é destinada à agropecuária e apenas um percentual marginal se deve a desmates autorizados para a realização de obras públicas.


Se o desmatamento continua capitaneando a lista de maior emissor de gases-estufa, por que isso não é repercutido na agropecuária? Para quê estão sendo destinadas as áreas de floresta abertas?


"Especulação", diz Amintas Brandão Jr., pesquisador do Imazon, instituição de Belém  que compõe o corpo técnico do Observatório do Clima. Segundo ele, o progresso econômico esperado com as obras de infraestrutura nos estados do Norte estão levando a uma corrida por terras. A floresta é derrubada por garantia de preço, mas não se torna imediatamente produtiva. "No Pará, a terra é barata e o imposto territorial rural é muito baixo. Isso, somado às dificuldades de fiscalização e à chegada da infraestrutura, tem provocado grande especulação na região".


As terras estão sendo desmatadas porque vão ter mais valor quando as obras de infraestrutura prometidas na Amazônia estiverem prontas, como o asfaltamento da BR-163. E porque obras, por si só, atraem novas populações, que se apropriam da floresta para colocar pasto, depois gado e por fim grãos. Estima-se que só na construção da hidrelétrica de Belo Monte, 5,6 mil Km2 foram desmatados indiretamente por quem resolveu tentar a vida na esteira do empreendimento. Quando toda essa e as demais áreas se tornarem produtivas, a conta das emissões do agronegócio vai voltar a crescer.


Fonte: Valor Econômico. 20 de novembro de 2014.



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