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Scot Consultoria

Leite de novo na frente!


Segunda-feira, 26 de janeiro de 2009 - 15h03

O resultado econômico da produção leiteira foi bom em 2008 quando se compara com outras atividades econômicas. Evidentemente, estamos falando de uma fazenda de alta tecnologia, produzindo acima de 25 mil litros/ha/ano. Esse foi o resultado do estudo econômico, conduzido pela Scot Consultoria, que é feito anualmente desde 1999. Neste estudo são comparados os resultados de aplicações financeiras, investimentos em produção agropecuária, arrendamentos e indicadores econômicos. Embora em 2008 o estudo tenha completado 10 anos, a pecuária de leite só começou a ser analisada em 2004. Essa demora em incluir a pecuária de leite se deve aos critérios estabelecidos pela Scot Consultoria neste tipo de análise. Para chegar aos resultados, a Scot Consultoria armazena os indicadores técnicos das diversas empresas que já foram analisadas. Todos os anos, logo em janeiro, são atualizados os valores de mercado dos insumos, terra, serviços e produtos. Assim, é possível visualizar o resultado que as fazendas, dentro daquelas características técnicas, teriam obtido ao longo do ano. Ano a ano há um aumento no número de fazendas que compõem o histórico, tornando o indicador cada vez mais confiável. Esse resultado, no entanto, não foi obtido pela maior parte das fazendas produtoras de leite. A grande maioria dos produtores rurais deve ter “amargado” um ano ruim, com resultados negativos. Nessa estatística de maus resultados entraram os produtores que operam com baixa tecnologia e os produtores que investiram errado, animados com a euforia dos bons preços de 2007. O investimento sem planejamento, e sem análise técnica e econômica, acaba por aumentar os custos de produção. Tais erros ocorrem com muita frequência em períodos posteriores a anos de preços bons. Os produtores que assim fizeram, aumentaram seus custos justamente em 2008, num mercado desfavorável. Vale ressaltar que o aumento de custos de produção ocorreu para todos os produtores, impulsionado pela alta dos insumos durante o ano. Aqueles que erraram nos investimentos, acabaram por incrementar os custos acima do aumento de preços do leite. Nestes casos, houve aumento de custos fixos e, principalmente, dos juros em função da necessidade da captação de recursos. Mesmo nas empresas mais saudáveis, a redução do fluxo de caixa em si já seria um problema. E não há dúvidas que o primeiro semestre de 2008 foi repleto de investimentos na atividade leiteira. Na época, até os preços de vacas em leilões estavam acima da realidade do mercado de leite do período. Como nos anos anteriores, padronizou-se uma área de 65 hectares destinados à produção de leite. Nela foram aplicados os indicadores de uma empresa de baixa tecnologia e os de alta tecnologia. As quantidades de insumos e produtos elaborados (leite e animais) vêm dos indicadores da Scot Consultoria armazenados ao longo dos anos, conforme descrito anteriormente. Pelo critério adotado, consideramos uma empresa de 4 mil litros de leite/ha/ano como referência para baixa tecnologia. É importante lembrar que essa produtividade é cerca de 3,5 vezes superior à média da pecuária nacional. Grande parte das fazendas com essa produtividade trabalha com boa genética, nutrição e sanidade adequada, elevado volume de produção diária, enfim, parecem ser exemplares do ponto de vista tecnológico. No entanto, pecam na gestão do sistema de produção, especialmente no que tange à produção e uso dos volumosos. Por isso perdem no quesito de produção por unidade de área, um dos indicadores mais importantes do ponto de vista econômico. Comparado ao potencial e aos resultados das melhores empresas produtoras de leite, a produção de 4 mil litros por hectare por ano ainda é insuficiente em termos de produtividade. Para calcular a produção por área, considera-se toda a área destinada à produção de volumosos e instalações para a pecuária de leite. A área inclui a criação de bezerras e novilhas. Não entra neste cálculo a área destinada à produção de grãos para os animais. Exemplo, o milho usado para silagem entra no cálculo da área; o milho para produção de grão não entra no cálculo. A produtividade considerada como alta tecnologia foi de 25 mil litros de leite/ha/ano. Na tabela 1 são resumidos os indicadores de ambos os casos, assim como os resultados econômicos. Observe que, seguindo este critério, há uma diferença muito grande entre os resultados da pecuária de leite dependendo da forma com que é conduzido o sistema de produção. Muitas vezes, sem entrar nos detalhes técnicos, as fazendas são até muito parecidas entre si, sendo que uma está bem, com bons lucros, enquanto outra está sucateando seus bens, somando prejuízos anuais. Consideramos preços com bonificações. Em média, as bonificações giram entre 16% a 22% acima do preço médio regional. De um lado um prejuízo considerável, de difícil recuperação, enquanto de outro há lucro com a atividade, tornando-a a mais competitiva dentre as produções agropecuárias analisadas pela Scot Consultoria em 2008. Observe, na figura 1, a comparação entre os diversos investimentos ao longo de 2008. Dentre as atividades agropecuárias, o leite novamente proporcionou os melhores resultados quando produzido com elevada tecnologia. Em 2007, o resultado do leite ficava atrás apenas dos fundos de ações. Em 2008, no entanto, o mercado de ações perdeu quase metade do valor. Na tabela 2 estão as evoluções destes resultados nos últimos cinco anos. Em 2008 foi reforçada a conclusão de 2007, onde cada vez haverá menor espaço para empresas pecuárias de baixa tecnologia. Tanto na pecuária de leite como na pecuária de corte, fazendas conduzidas com deficiência tecnológica proporcionam continuamente resultados mínimos ou prejuízos. Em 2008 apenas a pecuária de corte em ciclo completo ficou no azul. Enfim, para o produtor de leite os resultados foram positivos em 2008, porém inferiores aos de 2007. Já era esperado. Dificilmente uma atividade permanece durante dois anos com os resultados positivos tão elevados. Como o resultado foi bom, é natural que se invista na atividade aumentando a produção. Quando a produção aumenta, os preços no período seguinte, ou num futuro bem próximo, caem em função do aumento da oferta. É daí que vem a ciclicidade dos preços agropecuários. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no primeiro semestre de 2008, o aumento da captação de leite em relação ao mesmo período do anterior foi de 13,91%. Foi o maior aumento na captação no período de onze anos. Ainda assim os preços não recuaram consideravelmente. Corrigido pelo IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna), o valor médio pago ao produtor em 2008 foi o segundo preço mais alto, em onze anos. Observe na figura 2. O problema de 2008 não foram os preços, mas os custos de produção. Segundo acompanhamento mensal da Scot Consultoria, os custos de produção aumentaram 22,19% ao longo de 2008, em valores nominais. Os preços médios do leite que, em valores corrigidos pelo IGP-DI, foram inferiores aos de 2007 (conforme figura 2), aumentaram 9,89% em valores nominais. Enfim, houve uma redução de margem, pois os preços aumentaram menos que os custos. Para 2009 os resultados devem piorar.Em dezembro de 2008 os preços pagos aos produtores haviam parado de cair. A virada do ano mostrava até perspectiva de recuperação para janeiro ou fevereiro. No entanto, o enfraquecimento do mercado interno voltou a pressionar negativamente. Os custos de produção também estavam em queda. Mesmo assim, a experiência nos mostra que nos cenários de queda generalizada de preços geralmente ocorre um enfraquecimento de margens dos produtores rurais. Essa notícia é ruim e alarmante para os fazendeiros que hesitam em aplicar tecnologia. Tornar uma empresa competitiva está cada vez mais difícil. Embora tecnicamente seja relativamente fácil melhorar uma fazenda, o problema reside nas finanças. É preciso dinheiro para melhorar; é preciso investimentos. Até 2007 havia a agricultura para dar fôlego, através da cana-de-açúcar, por exemplo, com o repasse de terras que financiava a tecnificação da propriedade. De meados de 2008 em diante, as oportunidades diminuíram com a maioria das atividades agropecuárias vivendo crises e incertezas. Não há dúvida que 2009 será um dos anos mais difíceis para o empresário rural. Quem não se preparou precisará correr para recuperar o tempo perdido. E não poderá cometer erros. A atividade admite cada vez menos erros em sua condução.
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