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E como fica a situação?


Quarta-feira, 24 de setembro de 2008 - 09h02

Era evidente que em algum momento os preços cairiam. São as variações de safra e entressafra. Em agosto, pagamento da produção de julho, o preço do litro de leite havia caído em média, R$0,06. A perspectiva é de que a queda continue. O preço médio deste ano deverá ser menor que o de 2007 (corrigidos pelo IGP-DI). Até junho, acreditava-se que o preço médio de 2008 superasse a média do ano passado. Em 2007, o preço médio foi o mais alto desde 1998. Veja na figura 1 o comportamento dos preços médios anuais do leite nos últimos onze anos. Para produtores eficientes, com bons índices de produtividade e eficácia gerencial, o ano de 2007 foi remunerador. O leite atingiu os melhores resultados dentre as principais atividades agropecuária e houve registro de lucros operacionais próximos a R$4 mil/ha/ano. Neste ano os resultados serão piores. Além da perspectiva de preços menores, há também o aumento de custos de produção da ordem de 33% em relação a 2007, quando se compara de janeiro a agosto. Por ora, os preços ainda remuneram o produtor. O que preocupa é o aumento da captação de leite. Crescimento de 10% a 20%, dependendo da região. Tal incremento é reflexo dos preços elevados, registrados em 2007. Grande parte dos produtores acreditava que os patamares atingidos naquele ano repetir-se-iam neste ano. Evidentemente, houve estímulo na produção. Em Goiás, onde os preços eram os mais elevados, entre novembro de 2007 a março de 2008, é onde acontece o maior aumento de captação. Atualmente, por isso, é uma das regiões onde os preços caíram com mais intensidade em relação ao pico registrado em abril e maio, dependendo do Estado. Observe, na tabela 1, o comportamento de preços nas diversas regiões, quando comparado ao mês de pico. Goiás, Mato Grosso e Rondônia registraram as maiores quedas de preço. Rondônia, de longe, é o Estado onde os preços mais caíram. Em relação à produção de abril, pagamento em maio, os preços diminuíram R$0,17/litro, o que representa uma queda de 23,59%. Em Rondônia os produtores estão se unindo e suspendendo o fornecimento. Houve paralisações no fornecimento em determinado momento. Embora a atitude do produtor de Rondônia em se organizar seja positiva, a ação não deve exercer impacto no restante do Brasil. O Estado representa de 2% a 3% da produção nacional. Mesmo caindo a captação no Estado, os efeitos não neutralizariam o aumento da captação nas principais bacias leiteiras. A queda dos preços em Rondônia, também é reflexo dos valores mais elevados recebidos de janeiro a maio. Os preços pagos ultrapassaram as cotações de bacias tradicionais como Rio Grande do Sul e Paraná. Essas duas bacias leiteiras estão próximas à São Paulo, que consome 50% dos lácteos do Brasil. Observe os preços em valores nominais na figura 2. No período de alta de preços em Rondônia, os valores estiveram 0,5% mais altos que a média nacional. Historicamente, desde 2003, os preços são 6,23% menores em relação à média brasileira. Com a queda dos últimos dois meses, os preços em Rondônia caíram para 16% abaixo da média nacional. Na média do ano os preços em Rondônia estão 4% menores em relação aos preços nacionais. Até a produção de julho, os preços anuais estavam um pouco acima dos valores relativos nacionais. Incluindo o pagamento de setembro, essa situação mudaria e os preços ficariam menores que a média histórica. Observe, na figura 3, a relação de preços médios anuais entre os diferentes Estados produtores de leite. Setembro e outubro serão decisivos. Os preços tendem a recuar nesses meses. Dependendo da queda, a atividade leiteira continuará remunerando, embora num nível inferior ao de 2007. O cenário ainda é incerto e caso os preços recebidos pela indústria não melhorem, dificilmente haverá condições de melhorar o pagamento aos produtores. O pagamento de setembro pela produção de agosto, ocorrerá em meio à turbulência do mercado financeiro, com influência direta no mercado de commodities. Assim como ocorrido em 2007, não se descarta uma mudança nas referências de preços internacionais. Essa mudança seria em nível global. A hora é de atenção à crise norte-americana e, principalmente, ao mercado financeiro em todo o mundo.
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