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Scot Consultoria

A crise política e oportunidade para o país


Quinta-feira, 19 de janeiro de 2006 - 13h09

Sempre se diz que de toda crise o ser humano é capaz de extrair uma oportunidade de melhoria; a humanidade avança quando passa por dificuldade. De fato, são vários os exemplos de superação, sejam eles empresariais, bélicos ou mesmo de fantásticas histórias de grandes conquistas em meio a crises inimagináveis pelas quais pessoas ou grupos acabam enfrentando ao longo de sua saga. Pois bem, e o que o país e a sociedade brasileira poderiam tirar de bom da crise política que o governo viveu ao longo de 2005? Para facilitar o raciocínio, vale lembrar a trajetória do partido dos políticos que estão envolvidos na crise que culminou com a criação de várias CPMIs (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) e com um fluxo de denúncias que parece não ter fim. Lula, principal nome do Partido dos Trabalhadores (PT), construiu uma imagem ao longo dos anos que lhe permitiu gradualmente aumentar a sua credibilidade perante a sociedade brasileira. Essa trajetória, no entanto, custou-lhe 3 derrotas seguidas na busca pelo principal cargo político do país, todas como segundo colocado. Em 2002, a vitória: Lula seria o presidente do Brasil. A chegada de Lula à presidência marca também a concretização do sonho da elite “intelectualizada” brasileira. Era o fato que representaria a mudança, o moral, a política voltada para os interesses dos brasileiros, enfim, pela primeira vez, o Brasil seria governado por gente bem intencionada, a “maior autoridade moral do país”. Lula simbolizava a esperança; e ela teria, finalmente, a sua vez. Mas, dizem que brasileiro tem memória curta, e talvez seja realidade. A mesma esperança em torno de Lula havia chegado ao poder oito anos antes com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o sociólogo, o político que levava à presidência, pela primeira vez, toda a bagagem social. Chegou “montado” no sucesso do plano Real, que finalmente havia vencido a tão combatida inflação. Diversos governos anteriores fracassaram na tentativa de combatê-la. Se foi assim, por qual motivo os defensores de Lula, e de seu partido, demonizam o seu antecessor – o FHC? Pela simples razão de que a realidade do ato de governar é mais complicada do que a oposição, a crítica desenfreada, a simplicidade das soluções. Fazer é mais difícil do que falar o que deve ser feito. Tanto Fernando Henrique, como Lula, tiveram que fazer alianças, acordos e conceder cargos para governar. Evidentemente arrumaram problemas, pois além do risco da corrupção, há o risco da inépcia no poder. Aliás, no governo de Lula, a inépcia parece ter deixado de ser risco; passou a ser certeza. Tirando alguns poucos ministérios, ocupados por profissionais oriundos da iniciativa privada, os ministros de Lula parecem não saber o que estão fazendo, estão perdidos, preocupados mais com o próprio ego e com os seus futuros na política, do que com as importantes pastas que ocupam. Graças a algum momento de lucidez, a pasta da Agricultura, Pecuária e Abastecimento faz parte das exceções. Mas não basta. Em apenas três anos de Governo, o Partido dos Trabalhadores, a estrela da esperança, tropeçou na sua própria trajetória e nos meios obscuros que usaram para financiar sua campanha e outros fins. Um partido endividado, que parece ter buscado a solução para seus problemas dentro dos cofres públicos. De fato, confundiram Governo, e as responsabilidades que o ato de governar demanda, com as necessidades partidárias. Ao final, o partido da esperança, os auto eleitos donos do patrimônio moral do país, se viram cobertos na lama da corrupção, do tráfico de influência, da sonegação, chantagem, nepotismo, ameaças, subornos e um “atentado” moral dentro do maior símbolo de países democráticos – o Congresso – com congressistas a venda. Que democracia é esta? O PT, no governo, provou que não é diferente daquilo que condenavam. E ironicamente para o PT, em oito anos à frente do poder, o governo anterior mostrou ter, de fato, mais respeito ético e moral em relação aos breves três anos iniciais do governo de Lula. O PT apenas não é diferente, nem melhor, não é o tal super-partido, idéia que eles venderam ao longo de vários anos como oposição. É...dizem no interior que ser pedra é melhor que ser vidraça!!! E que vidraça!! De bom, ficará apenas a experiência e oportunidade de evitar que erros semelhantes se repitam. Primeiro, é provável que pelo menos a elite formadora de opinião pare, de uma vez por todas, de acreditar em super heróis da política, discursos populistas e demagógicos, soluções incabíveis e, principalmente, parem de endossar modelos econômicos que remontam o final da revolução industrial. Estamos noutra. Só aí, já seria um grande avanço. Políticos, polícia federal e, principalmente, a imprensa conheceram mais um caminho da corrupção. Será mais difícil golpear, desta forma, a sociedade brasileira. É errando que se aprende. O país melhorará depois destes fatos. Sairá fortalecido. A tão falada reforma política parece estar próxima da realidade. Deverá sair dos papéis. Acontecendo tal amadurecimento, num momento em que a sociedade está atenta e mobilizada, a saída de fato seria uma profissionalização dos cargos de confiança, seja nos ministérios, seja nas estatais. Já existem alguns bons profissionais apartidários por lá; que tal mais alguns? Bom, claro que tudo faz parte de um cenário ideal. Para ocorrer, antes é preciso que a autoridade máxima do país esqueça os devaneios de tentar culpar as “elites” por sua sina e busque se agarrar a soluções concretas e objetivas. Seria um bom final, um ato de responsabilidade para um governante que chegou tão rodeado de esperança e está saindo marcado pela corrupção e incompetência.
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