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Scot Consultoria

O leite em primeiro


Quinta-feira, 17 de janeiro de 2008 - 12h53

Em 2007 a pecuária leiteira foi um excelente exemplo de que eficiência técnica e gerencial são requisitos fundamentais para o sucesso na atividade agropecuária. Anos de crise, desânimo e exigências por mudanças significativas na gestão de empresas rurais levaram produtores de leite a desistir da atividade; ou entrar num processo gradual de sucateamento dos bens de produção, como maquinários, benfeitorias, equipamentos, cercas, etc. Não se trata de incompetência. É natural que na crise o empresário sofra o impacto dos maus resultados dentro da empresa. Um dos primeiros sintomas do processo é o envelhecimento dos bens, que acaba contribuindo para o aumento nos custos de produção e perda de produtividade. Vai entrando num ciclo vicioso. Ao longo dos anos muitos erros gerenciais foram sendo cometidos em toda a agropecuária, não só no leite. O pior deles é o descrédito de grande parte de produtores com relação às novidades, conhecimentos acadêmicos e tendência de intensificação da produção. É fato que, tanto na pecuária de corte como na pecuária de leite, é difícil intensificar a produção. Não pela falta de tecnologia existente, mas sim pelo capital envolvido no processo. Por isso, frente à dificuldade, é muito comum produtores se defenderem buscando descredenciar a produção tecnificada, pois estão longe dela. Para conseguir implementar tecnologia, o empresário precisa desenhar o processo ao longo dos anos. Com isso, a empresa aproveita as oportunidades que vão aparecendo e administra os riscos ou períodos desfavoráveis. É preciso estar preparado. No entanto, para que o processo flua, é essencial o estabelecimento de um plano de longo prazo. Um plano só é elaborado quando o empresário for capaz de visualizar o futuro de sua empresa e estabelecer um objetivo. E ele só visualiza o futuro se acreditar que é possível. Não importa quanto tempo demore para que a empresa atinja o objetivo, o importante é que exista este objetivo e que a empresa esteja no caminho. É por este motivo que o leite foi um bom exemplo para toda agropecuária em 2007. Os preços do leite pagos aos produtores chegaram a valores médios próximos de R$0,80/litro em algumas regiões. A média nacional de 2007, quando se corrige a inflação pelo IGP-DI, (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) foi de R$0,648/litro, em valores brutos. Foi a maior média dos últimos dez anos, período em que a Scot Consultoria acompanha o preço de leite ao produtor. Observe as médias anuais, nacional e dos principais Estados produtores, na tabela 1. Mesmo nestes preços médios, grande parte dos produtores não usufruiu do momento e muitos ainda ficaram no vermelho. É parte da conclusão da Scot Consultoria que anualmente compara as atividades agropecuárias com indicadores econômicos e os rendimentos obtidos em outras linhas de investimentos. A pecuária leiteira, de baixa tecnologia, continuou com resultados negativos em 2007, fato que já havia sido observado em 2006. Comparando o lucro operacional anual em relação ao patrimônio investido, a rentabilidade da pecuária leiteira com tecnologia de 4 mil litros por hectare por ano foi de 1,22% negativo. Em outras palavras, no ano, o prejuízo equivale a 1,22% de todo o patrimônio, o que significa que está ocorrendo sucateamento dos bens. Os custos operacionais, segundo critério adotado pela Scot Consultoria, englobam todas as despesas, custos diretos, indiretos e custos fixos, incluindo as depreciações. Por isso, apesar de muitas vezes operar com o caixa positivo, a empresa ainda está no prejuízo. A conclusão é corroborada com recente estudo divulgado pelo CEPEA (Centro de Estudos e Pesquisas em Economia Agrícola/ESALQ/USP). Uma das conclusões do instituto é que a atividade leiteira em oito regiões pesquisadas cobre somente os custos diretos, indiretos e a mão-de-obra familiar, não sendo suficiente para bancar as depreciações, nem para remunerar o capital investido. “Sem renda para esses itens do custo total, em médio prazo, isso pode representar o sucateamento das propriedades”, segundo relatório do CEPEA. As empresas analisadas no estudo são de baixa tecnologia, com produções inferiores a 1,4 mil litros de leite por hectare por ano. Essa realidade dura ao produtor, mesmo em períodos favoráveis, é reflexo de anos de acréscimos nos custos de produção e pouco aumento nos preços, cujos valores foram reajustados em níveis pouco abaixo do IGP-DI. Observe, na tabela 2, a evolução dos custos de produção, do IGP-DI e dos preços do leite no período de agosto de 1994 a dezembro de 2007. Em 2007, os custos médios de produção para a pecuária leiteira aumentaram cerca de 18% a 22% quando comparados a 2006. Os preços do leite em 2007 foram 31% mais altos que os de 2006, média Brasil. A alta mais forte dos preços em relação aos custos não foi suficiente para melhorar os resultados das empresas de baixa tecnologia. Por outro lado, para o produtor que adotou tecnologia a situação foi bem diferente. Além de obter, geralmente, as maiores bonificações regionais por volume, qualidade e persistência na entrega de leite ao longo do ano, a alta produtividade garantiu um lucro consideravelmente satisfatório. Pela primeira vez, desde que a Scot Consultoria começou a acompanhar os resultados da agropecuária em relação aos outros indicadores econômicos, a atividade leiteira foi o “melhor negócio” agropecuário do ano, dentre as atividades pesquisadas. Foram analisados os resultados da produção de grãos, cana-de-açúcar, pecuária de corte e leite. A rentabilidade superou quase todas as aplicações financeiras, algo que só havia sido registrado para as atividades de cana-de-açúcar e soja nos últimos anos. Perdeu apenas para os investimentos em fundo de ações. Na tabela 3 e na figura 1 estão expostas as comparações da rentabilidade obtida com as opções de investimentos, os índices de mercado e as atividades agropecuárias ao longo de 2007. Este estudo conduzido pela Scot Consultoria é simples, objetivando estabelecer um indicador. A análise envolve o lucro operacional comparado ao capital investido, incluindo a terra. Não é considerado custo de capital e nem a valorização da terra. Na avaliação de empresas, evidentemente, outros indicadores econômicos precisam ser considerados. Os resultados são extraídos de índices técnicos de produtividade e demanda de serviços e insumos de empresas analisadas ao longo dos anos. Os valores de mercado são atualizados, possibilitando realizar, no momento, uma “radiografia” econômica da empresa. Os rendimentos financeiros e os indicadores foram coletados junto a bancos de varejo, a partir do acompanhamento diário feito pela Scot Consultoria. Os resultados envolveram o período do primeiro dia de janeiro até o último dia de dezembro de 2007. A rentabilidade de 11,90% na pecuária leiteira, pelo critério adotado pela Scot Consultoria, equivale a um lucro operacional de R$3,8 mil/ha/ano em 2007. Evidentemente que de uma fazenda a outra, mesmo com alta tecnologia, existem diferenças nos resultados, que podem se relacionar com o volume total produzido, sistema de produção e composição média dos custos. Uns ganharam mais e outros ganharam menos. Depende da gestão. Houve casos, que há muito não se escutava, de produtor que comprou fazenda com dinheiro de leite. É fato que o preço do leite ao final do ano acabou por maquiar a ineficiência. Muitos produtores pensaram estar lucrando, quando na verdade estavam perdendo. Se os cálculos são todos colocados na balança, o verdadeiro resultado aparece. É a conclusão da Scot Consultoria. A lição dos últimos anos é simples. Tecnologia de produção bem gerenciada é o caminho para o produtor. Em 2006, essas fazendas de alta tecnologia ficaram no lucro, ganhando muito pouco, mas não perderam. Em anos de preços altos, essas empresas estão prontas para colher os resultados; colher os frutos de investimentos realizados anteriormente, especialmente no quesito gestão e qualidade do leite. O conceito de competitividade é ganhar mais e crescer quando a situação é favorável e não perder quando o cenário é desfavorável. Quem não está nesta condição, mesmo que pareça ganhar dinheiro, precisa aproveitar o momento para estabelecer metas de crescimento e aumento tecnológico. Trata-se de um processo lento, trabalhoso e oneroso, pois exige investimentos. Anos de preços de leite favorável são excelentes oportunidade de preparar a competitividade da empresa. A gestão dos custos e o ganho em produtividade continua sendo fator decisivo para o sucesso, independente do sistema de produção (confinamento, pastagem, híbridos). Tudo indica que 2008 será um ano bom em termos de preços do leite, apesar do aumento previsto nos custos de produção, que já vem ocorrendo desde novembro de 2007. O momento favorecerá os produtores que estiverem cientes da necessidade de melhorar a sua empresa; e não aqueles que acharem que tudo melhorou. Competitividade se ganha em anos de preços altos e não em anos de preços baixos. É a hora de planejar, não de relaxar. Essa é grande diferença do otimista para o entusiasmado. O otimista espera algo bom; o entusiasmado faz o certo quando o momento é bom.
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