A estacionalidade forrageira é um dos gargalos da pecuária brasileira. No período seco, a oferta de capim cai drasticamente, a lotação é reduzida e o produtor recorre a suplementos e concentrados que encarecem o custo da arroba produzida.
A irrigação entra como uma técnica capaz de suprir a deficiência total ou parcial das águas nas plantas que podem ocorrer em regiões do Brasil, onde se faz necessário a intervenção humana, por meio da irrigação, para minimizar o risco de deficiência hídrica.
Com isso, para garantir um bom manejo, faz-se necessário definir: o sistema, quando e quanto irrigar, adubação, clima, topográfica do local, fonte de água disponível e mão de obra na propriedade. Com esses fatores alinhados, a irrigação pode proporcionar altas produtividades e maior qualidade às pastagens.
Há três modalidades no mercado de implantação de irrigação por aspersão: a convencional, a autopropelida e o pivô central; cada uma com perfil de custo, área mínima e vida útil distintos. A escolha depende do tamanho da fazenda, da topografia, da disponibilidade de água e da cultura forrageira utilizada (tabela 1).
Tabela 1.
Custo de implantação por sistema de irrigação.
| Sistema de irrigação | Área (ha) | Custo/ha (em mil reais) | Vida útil em anos* |
|---|---|---|---|
| Aspersão convencional | 1,0 – 20,0 | 8,6 – 15,0 | 10 – 12 |
| Aspersão autopropelida | 10,0 – 50,0 | 15,0 – 20,0 | 12 – 15 |
| Pivô central (pequeno) | 50,0 – 100,0 | 18,0 – 22,0 | 15 – 20 |
| Pivô central (grande) | > 100,0 | 22,0 – 30,0 | 15 – 20 |
> maior que.
* valor estimado.
Fonte: Irrigat, 2026 / Elaborado por Scot Consultoria.
O pivô central, mesmo que mais caro na instalação, apresenta a melhor eficiência operacional em grandes áreas, ou seja, exige menos mão de obra, permite fertirrigação e tem vida útil de até 20 anos com manutenção adequada.
Para áreas menores, a aspersão convencional ainda é a mais acessível, com custo médio próximo de R$8,6 mil/ha.
Tão importante quanto o custo de implantação é o custo de operação. A energia elétrica, a manutenção preventiva e a possível fertirrigação compõem as despesas anuais que impactam diretamente a viabilidade econômica do sistema (Tabela 2).
Tabela 2.
Custos operacionais anuais estimados por hectare irrigado 2025/26, em mil reais.
| Item de custo | Custo (mil R$/ha/ano)* | Observações |
|---|---|---|
| Energia elétrica | 0,8 – 1,5 | Varia conforme potência e horas de uso |
| Manutenção e peças | 0,3 – 0,6 | Manutenção preventiva anual obrigatória |
| Mão de obra (MO) | 0,2 – 0,4 | Pivô exige menos MO que aspersão |
| Fertirrigação** | 0,4 – 0,9 | Adubação via sistema de irrigação |
* estimado
** opcional.
Fonte: Irrigat, 2026 / Elaborado por Scot Consultoria.
Outrossim, a energia elétrica intercede no custo da irrigação quando o sistema opera exclusivamente durante o dia, a tarifa é integral, sem desconto. Ao dividir a operação entre os turnos, por exemplo, nove horas à noite e três horas durante o dia, o produtor acessa um benefício tarifário garantido pela Lei n. 10.438/2002 e regulamentado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que dá descontos de 60,0% a 70,0% no período noturno, dependendo da região, como exemplo, em Minas Gerais, esse abatimento é de 67,0% na região úmida e pode chegar a 73,0% nas regiões secas.
A diferença em centavos por quilo de matéria seca (MS) parece pouca, mas em uma pastagem irrigada que produz entre 40,0 e 50,0 toneladas de MS por hectare ao ano, a economia acumulada pode chegar a centenas de reais por hectare, tornando o horário de bombeamento uma decisão estratégica.
A rentabilidade da irrigação acontece pelo aumento da capacidade de suporte e da produção de arroba por hectare. Em pastagens degradadas sem irrigação, a produtividade gira em torno de 8,0@/ha/ano. Com irrigação, manejo adequado e adubação, esse número sobe para 20,0@/ha/ano, uma diferença significante para o produtor (figura 1).
Figura 1.
Comparação de produtividade e indicadores econômicos.
Fonte: CSR/UFMG, s.d, DRUMOND; AGUIAR, 2018 / Elaborado por Scot Consultoria.
O salto produtivo obtido na transição do sequeiro para o sistema irrigado consolida a eficiência da técnica na pecuária de corte.
Ao fazer a comparação entre o sequeiro e o irrigado, a produção salta de 6,0 para 25,0t/MS/ha/ano. Esse ganho na oferta de capim quebra a estacionalidade e permite que a taxa de lotação média saia de 1,2UA/ha para 6,9UA/ha. Além disso, pode ser observado a elevada produção de carne de 8,0 para 20,0@/ha/ano.
Diante desses indicadores, conclui-se que a irrigação de pastagens pode ser um investimento vantajoso, desde que aplicada em sistemas produtivos já bem estruturados. Como não é uma solução isolada, sua eficiência depende de fatores como a recuperação prévia das pastagens e o manejo adequado. Nessas condições, contribuindo para aumentar a produtividade e diluir os custos fixos da propriedade.