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Ociosidade atinge 45% e já causa o fechamento de frigoríficos no Brasil

por Globo Rural
Terça-feira, 13 de abril de 2021 -09h00


A combinação entre escassez de matéria-prima, aumento de custos e um mercado interno enfraquecido já levou os frigoríficos brasileiros a reduzirem em mais de 45% sua produção neste ano, segundo levantamento da taxa de ociosidade do setor feito pela Scot Consultoria.


Na Bahia, Estado que apresenta a maior taxa de ociosidade entre os 13 considerados na pesquisa, esse percentual chega a 60%, refletindo uma dura estratégia de reduzir a operação para controlar os custos.


“A gente percebe que muita indústria está fazendo dois tipos de abate: ou pulando dias da escala, abatendo de duas a três vezes por semana, ou abatendo todos os dias, porém, diminuindo o ritmo de abate diário”, explica Rodrigo Queiroz, analista de mercado da consultoria.


Ele destaca as duas estratégias como as principais usadas pelo setor para fazer frente ao cenário atual. Segundo Queiroz, “todas as indústrias frigoríficas hoje estão com dificuldades de encontrar animais para a abate”, mas o cenário é pior para aquelas que dependem do mercado interno.


“O principal importador hoje da carne brasileira é China e Hong Kong, e essa demanda bem aquecida da China fez com que a procura da indústria frigorífica por esses animais, principalmente as que exportam, aumentasse, prejudicando as indústrias menores que não têm a certificação de exportação”, destaca.


A situação, explica o analista, fez com que a margem de comercialização da carcaça bovina superasse a da carne desossada, tornando mais lucrativo para essas empresas abater os animais e enviá-los para serem processadas em plantas menores.


“Hoje, o cenário encontra-se bem complicado. Falando em desossa, com os preços atuais, a gente está com uma margem de comercialização de praticamente zero”, aponta o analista. Os cálculos da consultoria desconsideram demais custos da operação, como mão de obra.


Para o presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Paulo Mustefaga, este é o pior cenário que uma empresa do setor poderia enfrentar, já que a carne desossada pos