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Carta Grãos - De olho no clima e no câmbio!

por Rafael Ribeiro
Segunda-feira, 18 de novembro de 2019 -17h00


Em novembro, até o dia 17, choveu entre 100 e 150 milímetros em boa parte do Brasil Central e do Centro Sul do país, conforme apresentamos na figura 1. 


Figura 1.
Volume de chuvas acumulado no Brasil em novembro (até o dia 17), em milímetros.

Fonte: Cptec/Inmet


Com as chuvas regulares, a semeadura da safra brasileira de grãos 2019/20 (safra de verão) avançou em um ritmo melhor em outubro e nas primeiras semanas de novembro e, com isso, os atrasos no plantio verificados até então foram reduzidos. 


Em Mato Grosso, até o dia 8 de novembro, 91,5% da área prevista com soja fora semeada, frente aos 96,2% semeados em igual momento da safra passada, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Essa diferença já foi de mais de dez pontos percentuais. 


No Paraná, o ritmo de plantio superou a safra passada nesta reta final. De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), até então, 99% da área de milho de primeira safra (2019/20) fora semeada, frente aos 98% no ciclo anterior. No caso da soja, 89% da área foi semeada frente aos 88% na temporada passada. 


No Rio Grande do Sul, o plantio da soja atingira 28% da área estimada para 2019/20, frente aos 46% semeados no mesmo período do ciclo passado (Emater). 


Apesar de as chuvas terem sido mais bem distribuídas e em maiores volumes na primeira quinzena de novembro, a situação foi de déficit em relação à média histórica (normal climatológica) para o período. 


Observe na figura 2 que, com exceção das regiões Norte e Sul do país, nos demais estados as precipitações variaram de 50 a 100 milímetros abaixo da média histórica para o mês de novembro.


Figura 2.
Anomalias de chuvas no Brasil em novembro/19 (até o dia 17), em milímetros.

Fonte: Cptec/Inmet


Expectativas


Para o trimestre dezembro/19, janeiro/20 e fevereiro/20, que compreende a reta final de desenvolvimento das lavouras de soja e milho de verão e o início da semeadura da segunda safra de milho, as previsões apontam para chuvas mais dentro da média histórica nos três estados do Sul, boa parte da região Norte e de Mato Grosso, além de São Paulo e Rio de Janeiro.


Entretanto, a atenção continua no Noroeste de Mato Grosso do Sul, Goiás, Oeste da Bahia, Sul do Tocantins e Minas Gerais, importantes regiões produtoras de milho de segunda safra. Veja a figura 3. 


Figura 3.
Previsão de anomalias de chuvas no trimestre dezembro/19, janeiro/20 e fevereiro/20, em milímetros. 

Fonte: USDA


Impactos no mercado 


Além do clima, o câmbio terá papel fundamental na precificação da soja e do milho no mercado brasileiro neste final de 2019. 


A recente escalada da moeda norte-americana impactou diretamente as cotações da soja e deram sustentação às exportações de milho. 


Segundo levantamento da Scot Consultoria, em Paranaguá-PR, a saca de soja de 60kg que chegou a ser negociada em R$87,00 no final de outubro, retornou para patamares próximos de R$90,00 com a alta do dólar. 


No caso do milho, a referência subiu para R$45,00 por saca na região de Campinas-SP, depois de um cenário mais fraco de preços no final de outubro último, com negócios em até R$42,00 por saca. 


Para o primeiro trimestre/quadrimestre de 2020, ou seja, durante o período de colheita da soja, a expectativa é de preços mais frouxos no mercado interno, mas vai depender do câmbio e da demanda, especialmente para exportação. 


Para o milho, o cenário de demanda firme esperada para o ano que vem e a possibilidade de uma menor produção, especialmente na segunda safra, são fatores de sustentação para os preços no mercado brasileiro nos primeiros meses de 2020, quando a disponibilidade interna do cereal é menor.