Scot Consultoria
www.scotconsultoria.com.br

Estação de monta de 45 dias! Só conheço no Brasil

por Leonardo Souza
Terça-feira, 2 de julho de 2019 -05h55


Às vezes me perguntam sobre qual seria a tecnologia mais importante para aumentar a produtividade da cria e consequentemente das fazendas que fazem ciclo completo (cria-recria-engorda), e respondo que tudo começa com uma estação de monta curta. Poxa, mas curta, quanto?


No máximo 70 dias!


E os motivos são os seguintes:


1. Só é possível produzir um bezerro por vaca por ano se a estação não ultrapassar este tamanho. Período de gestação de 295 dias + 70 dias de estação de monta = 365 dias.


2. Não haverá partos acontecendo quando a estação de monta iniciar. Resulta em otimização da equipe da fazenda e redução da mortalidade de bezerros recém-nascidos.


3. Uniformidade e aumento dos pesos dos bezerros à desmama. Os bezerros nascidos de agosto a outubro são mais pesados que os bezerros nascidos a partir de novembro.


4. Possibilidade de desmamar os bezerros nos meses em que os pastos ainda apresentam qualidade tanto para a vaca quanto para o bezerro. Desmamar nos meses de abril e maio permitem que as vacas prenhes fiquem “gordas” para a próxima parição e que as vacas vazias estejam gordas para serem abatidas até o final de junho, o que é fundamental para reduzir a lotação dos pastos no período seco.


Mas como fazer uma estação de monta tão curta?


A ferramenta que viabiliza essa ação é a IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo) pois ela permite emprenhar uma vaca a partir de 40 dias após o parto.


Se for esperar para que a vaca retorne ao cio após o parto em condições naturais a prenhez ocorrerá somente após cerca de 60 dias. Portanto, essa redução proporcionada pela IATF permite encurtar a estação de monta.


Se utilizarmos IATF em uma estação de monta de 70 dias, conseguimos inseminar cerca de 75% das matrizes (vacas e novilhas) na primeira semana da estação de monta!


Com isso as vacas inseminadas neste período ainda poderão ser inseminadas 1 ou 2 vezes até o final dos 70 dias, dependendo do protocolo reprodutivo adotado pela fazenda.


Se utilizar o protocolo normal, após 41 dias da primeira inseminação é possível inseminar novamente as vacas vazias.


Se utilizar o protocolo precoce, após 33 dias da primeira inseminação é possível inseminar novamente as vacas vazias e novamente após 33 dias inseminar novamente, viabilizando 3 inseminações no período de 70 dias.


Mas, há ainda a recém-criada tecnologia que utiliza o diagnóstico de gestação super-precoce com ultrassom Doppler. Ela permite inseminar as vacas a cada 24 dias, ou seja, as vacas podem ser inseminadas até 3 vezes em um período de 48 dias.


E aí tem a Agropontieri que consegue fazer uma estação de monta de 45 dias com índice de prenhez acima de 80%. A menor estação de monta que eu conheço!


E eles fazem da seguinte maneira, como explica o próprio Guilherme Pontieri, sócio diretor da empresa:


- Dia 1 da estação de monta (1 de novembro): IATF nas vacas que pariram nos primeiros 30 dias da estação de nascimento. Partos do dia 15 de agosto até dia 15 de setembro. Estas vacas no dia 21 de outubro já podem iniciar o protocolo de IATF para serem inseminadas no dia 1 de novembro.


No meu caso, de 330 vacas parindo, tenho 280 que parem neste período, aí, somadas as novilhas (por volta de 130) temos 410 fêmeas (89% das fêmeas em estação) inseminadas no primeiro dia de EM.


Outra situação muito importante é que observo cio de retorno. As novilhas de 13 meses retornam por volta de 38% em cio e as vacas 15%. Nesta IA (inseminação artificial) do cio de retorno temos por volta de 60% de eficiência.


Na primeira IATF das precoces temos um índice por volta de 48%. Imaginamos 100 novilhas, 48 emprenham na primeira IATF, 38 retornam o cio (emprenham 60% - 38 x 60% = 22 animais).


Portanto, em 21 dias temos: 48 prenhezes (48% da primeira IA) + 22 prenhezes (60% de prenhez no retorno de cio), portanto 70% de prenhez em 21 dias de estação de monta para as novilhas.


Nas vacas, temos uma média de 60% de prenhez na primeira IATF, imaginamos 100 vacas: 60 prenhez na primeira IATF, 15% retornam cio, com 60% de prenhez, teremos mais 9 animais prenhes, assim em 21 dias, 60 +9 = 69 animais prenhes.


Com 30 dias de estação de monta fazemos diagnóstico de gestação com ultrassom nos animais que não retornaram ao cio e fazemos a segunda IATF nas fêmeas vazias.


Lembrando o exemplo dos 100 animais: novilhas, de 100 novilhas vamos implantar 14 (100 - 48 (prenha na primeira IATF) - 38 (retornaram o cio). Destas 14 da segunda IATF temos um índice de prenhez por volta de 50%, ou seja, 7 animais prenhes. Assim, juntando as 70 prenhes (primeira IATF + retorno de cio) mais as 7 prenhes da segunda IATF, temos 77% de prenhez em 41 dias.


Nas vacas passamos ultrassom em 85 animais (100 - 15 que retornaram o cio), com 60 prenhes e 25 vazias, essas 25 vazias serão implantadas na segunda IATF, com 60% de prenhez, ou seja, mais 15 animais. Assim serão 60 prenhezes (primeira IATF) + 9 prenhezes (retorno de cio) + 15 prenhezes (segunda IATF) = 84% de prenhez com 41 dias.


Lembrando que com 45 dias ainda vamos pegar o segundo cio de retorno dos animais que retornaram com 21 dias. Nas novilhas das 38 que retornaram ao cio a primeira vez, retornarão ao cio outra vez por volta de 10 novilhas com 60% de prenhez, ainda conseguimos emprenhar umas 6 novilhas. Totalizando em 83% de prenhez nas novilhas com 45 dias.


O problema está nas vacas que parem no final da estação de nascimento, estas terão a chance de uma IATF mais um cio de retorno, ou seja, uns 70% de prenhez.


Por isso, o índice de prenhez é maior quanto maior for o número de vacas inseminadas no primeiro dia de estação de monta.


Resumido: 330 vacas paridas + 130 novilhas = total de 460 matrizes.


· Novilhas - 83% de prenhez


· 280 vacas parindo no primeiro mês de nascimento - 84% de prenhez


· 50 vacas parindo últimos 15 dias da estação de nascimento - 70% de prenhez


· Assim nas vacas teremos 82% de prenhez.


Figura 1.
Evolução da Estação de Monta, Agropontieri – Goiatuba-GO

Fonte: Próprio autor 


Figura 2.
Distribuição de Nascimento, Agropontieri – Goiatuba-GO

Fonte: Próprio autor 


Mas para que tanto esforço e risco para ter uma estação de monta tão curta?


Olhem os resultados da Agropontieri:


I. Prenhez de 83% em novilhas aos 13 meses de idade;


II. Peso de abate dos machos que não são certificados como touro: 21@ aos 19 meses de idade;


III. Peso de abate das novilhas que não emprenharam aos 13 meses: 17@ aos 19 meses de idade;


IV. Peso de abate das vacas vazias após a estação de monta: 19,5@.


V. 6o. maior lucro por ha do Benchmarking Inttegra 2018 com R$1.219,00.


Bom, com isso só nos resta parabenizar o Guilherme Pontieri e toda sua equipe na Agropontieri pelos resultados alcançados. E quem quiser conhecer essa fazenda lá em Goiás é só ligar para ele: (64) 99961-1756.


Grande abraço e inté!


Texto em co-autoria de Guilherme Pontieri - Agropontieri