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Onde está o equilíbrio?

por Leandro Bovo
Quinta-feira, 31 de agosto de 2017 -16h50

 


O boi gordo continua em alta no Brasil inteiro à procura de um novo patamar de equilíbrio que consiga gerar um interesse maior de venda por parte dos produtores. Enquanto isso não acontece as altas vêm acontecendo quase que diariamente com o Índice Esalq à vista subindo durante todo o mês de agosto e saindo do nível de R$123,00/@ para os atuais R$143,20/@, num movimento de alta de 16,0% que já há muito tempo não era visto.


Obviamente essa alta aconteceu depois de todas as catástrofes acumuladas no primeiro semestre de 2017 e os níveis atuais apenas retomam os patamares vigentes antes da operação Carne Fraca em março. Após um movimento dessa magnitude é natural que todos se questionem até onde essa alta pode ir e realmente é difícil antever um limite para as cotações no curto prazo diante do tamanho da restrição da oferta vigente.


Toda essa alta no boi gordo, como não podia deixar de ser, afetou as margens de comercialização da indústria no mercado interno, porém, os níveis atuais ainda se encontram acima da média dos últimos anos como pode ser observado na figura 1.



Nas exportações o cenário é mais promissor e os dados divulgados nessa semana reforçam a tendência de embarques acima de 115 mil toneladas de carne in natura em agosto, em linha com os maiores volumes já exportados pelo Brasil em um único mês. Como geralmente os contratos de exportação são fechados com uma boa antecedência da efetivação dos embarques, é de se esperar que os volumes para setembro já estejam contratados e a probabilidade de pelo menos repetirmos o desempenho de agosto é grande, já que nos últimos anos as exportações de setembro foram sistematicamente acima das de agosto.


A briga da indústria pela preservação de suas margens tende a aumentar daqui pra frente e nesse sentido a relutância para se pagar preços mais altos tende também a ficar maior, só que o fiel da balança será realmente a oferta disponível no curto prazo. Como o primeiro giro de confinamento acabou ficando comprometido pelo cenário de preços de junho e julho, é provável que a dificuldade de compra ainda se estenda pelo mês de setembro. Depois de cair durante a semana passada e o começo dessa, o mercado futuro se recuperou e agora reflete essa tendência de mercado firme precificando setembro como a máxima da entressafra ao redor de R$144,00/@ e outubro a R$143,00/@, ambos em linha com o Índice Esalq de hoje (31/8) a R$143,20/@. Será que o mercado físico vai parar por aí?