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Cenário ainda é de cautela e atenção no mercado do leite

por Equipe Scot Consultoria
Sexta-feira, 4 de março de 2016 -14h00


Rafael Ribeiro, consultor de mercado pela Scot Consultoria concedeu uma entrevista ao apresentador Sidnei Maschio, do canal Terra Viva sobre o mercado de leite.


Rafael Ribeiro é zootecnista formado pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) - Ilha Solteira.



Confira a entrevista na íntegra:


Sidnei Maschio: Rafael, o que foi que aconteceu com o preço do leite ao produtor em fevereiro e como é que a gente está agora em relação a esta mesma época do ano passado?


Rafael Ribeiro: O mercado está firme e os preços do leite ao produtor em alta. Considerando a média nacional, o litro ficou cotado, em média, em R$0,983, segundo levantamento da Scot Consultoria.


Alta de 1,7%, frente ao pagamento anterior. O produtor está recebendo 11,1% mais pelo litro de leite na comparação com fevereiro do ano passado.


Sidnei Maschio: Quais são os principais motivos dessa queda na produção de leite no país?


Rafael Ribeiro: A produção está em queda nas principais bacias do Sudeste e Sul do país. A concorrência entre os laticínios é grande.


Segundo o Índice Scot Consultoria para a Captação de Leite, em janeiro de 2016, a produção, considerando a média nacional, diminuiu 2,5%, em relação ao mês anterior.


Para fevereiro deste ano, os dados parciais apontam para queda de 1,4% na produção brasileira.


Sidnei Maschio: Com a captação de leite pela indústria caindo ainda antes do final da safra, o que é que a gente pode esperar em relação ao andamento do mercado nos próximos meses?


Rafael Ribeiro: Mercado firme e em alta. Para o pagamento de março (produção de fevereiro), 75,0% dos laticínios pesquisados acreditam em alta dos preços ao produtor, 18,0% falam em manutenção e os 7,0% restante estimam queda para o produtor.


Os laticínios que apontam para queda no preço do leite ao produtor estão no Ceará, Bahia e Pernambuco.


Sidnei Maschio: Estes aumentos no preço acontecidos nos últimos meses já foram suficientes pra deixar o pecuarista mais animado pra voltar a investir na produção?


Rafael Ribeiro: Ajuda, mas o cenário ainda é de cautela e atenção por parte do produtor. O leite subiu, mas os custos também estão em patamares mais altos. Por exemplo, o leite ao produtor (média nacional) subiu 11,1% em fevereiro deste ano, em relação a fevereiro de 2015. Os custos estão 20,0% maiores, com destaque para a mão de obra, energia, combustível alimentos concentrados, fertilizantes, suplementos minerais, entre outros.


Sidnei Maschio: O produtor de leite pode esperar algum alívio na alta do custo de produção nos próximos meses ou a previsão é o contrário disso?


Rafael Ribeiro: Com o avanço da safra de soja e milho de primeira safra e maior disponibilidade interna a expectativa é de mercado mais frouxo para o milho e farelo de soja nos próximos meses. O farelo já caiu em fevereiro, mas o milho deve recuar com maior intensidade a partir de maio deste ano, com a colheita da segunda safra. Os preços dos fertilizantes também caíram e a expectativa de menor movimentação no Brasil e quedas de preços dos adubos no mercado internacional, não estão descartadas quedas nos preços no mercado brasileiro em curto e médio prazos. O dólar valorizado, porém, deve ser um limitador destas quedas nos preços dos grãos e adubos.


Um ponto importante é que apesar da possibilidade de queda de preços destes insumos, os patamares de preços estão bem acima de 2015 e anos anteriores.


Sidnei Maschio: O preço dos laticínios no atacado também aumentou no mercado interno na segunda metade de fevereiro, e olhando pra essa alta a gente fica com uma vontade enorme de acreditar que a situação do consumo está melhorando.  Essa esperança tem algum fundamento na nossa realidade atual?


Rafael Ribeiro: O consumo de lácteos melhorou em relação ao começo do ano, mas ainda segue patinando a exemplo de 2015, em função do cenário econômico do país. Os reflexos são principalmente sobre os produtos de maior valor agregado.


A alta de preços dos lácteos no atacado pode ser atribuída mais a produção em queda e estoques mais enxutos.