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Carta Boi - Rebanho brasileiro e participação nos abates

por Mateus Silva Ferreira
Terça-feira, 11 de agosto de 2015 -08h44

O Brasil possui o maior abate mundial de bovinos. De acordo com Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) o país abateu 42,3 milhões de cabeças em 2014.


Segundo o levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), no início de 2014 o rebanho brasileiro de bovinos era de aproximadamente 211,76 milhões de cabeças (boi, vaca, novilho e novilha). Segundo essa fonte o rebanho cresceu 3,1% nos últimos cinco anos.


Porém, a taxa de desfrute brasileira é de 20,3%, relativamente baixa quando comparada à de países como Estados Unidos e Austrália, cujas taxas são de 35,5% e 33,0%, respectivamente, segundo o USDA.


Mais da metade dos bovinos brasileiros estão concentrados na região Centro-Oeste e Norte do país. Juntas, as duas regiões representam 54,7% do rebanho, como mostra a figura 1.


A região Centro-Oeste se destaca por deter o maior abate do país. Veja a tabela 1.


Aos números oficiais, acrescentamos os abates informais e para consumo próprio, estimados pela Scot Consultoria. Na região Norte e Nordeste 25%, no Centro-Oeste 22%, e nas regiões Sudeste e Sul, 20%.


A taxa de desfrute, não segue a mesma tendência trilhada pelo rebanho, já que há grande participação da cria na região Centro-Oeste e participação do gado leiteiro no Nordeste, onde uma pequena parcela é destinada ao abate.


Na região Centro-Oeste houve o maior crescimento na taxa de desfrute entre 2011 e 2013, como mostra a figura 2. O motivo foi o aumento das cabeças abatidas no estado de Mato Grosso, que no período cresceu 39,1%.


A segunda região com maior crescimento foi a Sudeste, puxado pelo estado de Minas Gerais, com crescimento de 58,8% dos abates no período.


O Brasil possui potencial para aumentar o abate bovino, em função do tamanho do rebanho. Dentre as regiões, o Centro-Oeste e, em especial o Mato Grosso, pois possuem potencial de aumento de produção em relação a área e o rebanho.


Porém, os abates em 2015 deverão ser menores por conta da falta de oferta de boiadas e pela situação de consumo fragilizado, cenário confirmado pela situação econômica difícil. Houve queda de 7,7% dos abates no primeiro trimestre de 2015, frente ao mesmo período de 2014.


De acordo com o IBGE, as regiões onde os abates caíram com mais intensidade no primeiro trimestre de 2015 foram Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, cujas reduções foram de 8,6%, 8,2% e 7,2% comparado ao mesmo período de 2014.