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Recria para confinar ou terminar em pasto, eis a questão!

por Alex Santos Lopes da Silva
Terça-feira, 28 de abril de 2015 -15h07

 Artigo originalmente publicado na Revista DBO.


Para o confinador, recriar o bezerro "caro" parece ser, senão o melhor, um bom negócio.


Já para a engorda em pasto, tratando-se de mercado, valem algumas ressalvas.


A recria para confinamento


Se para o ciclo de confinamento de 2016, o pecuarista adquirir bezerros desmamados entre abril e maio de 2015, aos sete meses de idade e recriá-los, considerando os custos de transporte, suplementação mineral, suplementação proteica, sanidade - necessários para que o bovino atinja, pelo menos, 360 quilos ao final do primeiro ano de fazenda (19 meses de idade) - e custos fixos iguais ao desembolso com arrendamento, o investimento total será de R$1,95 mil/cabeça. 



Comparando os números apresentados na tabela 1 com a cotação vigente no mercado do boi magro  com 12@, fica clara a competitividade que a recria confere ao sistema. Ainda mais admitindo possibilidades reais de novas altas para a categoria.


Em São Paulo, os negócios com boi magro, enquanto escrevia este texto, ocorriam entre R$2,0 mil e R$2,1 mil/cabeça, 7,1% acima do custo estimado para recria que será finalizada em 2016.


Até o final do primeiro semestre, à medida que se aproxima a temporada dos confinamentos, as negociações com esta categoria animal deverão se intensificar. Ou seja, são grandes as possibilidades de novas altas para o boi magro ainda em 2015.


Se até maio de 2016 o boi magro apresentar metade da valorização registrada nos doze meses exatamente anteriores, 16,2%, estará sendo negociado, em média, por R$2,32 mil.


Veja na tabela 2 a diferença de resultado econômico que essas duas categorias de bovinos para reposição, o recriado e o adquirido no mercado, darão ao confinador, considerando os mesmo índices produtivos. 



Com os parâmetros produtivos utilizados na simulação (ganho de peso, rendimento de carcaça e dias de cocho), o pecuarista que fará recria, pagará todo o investimento vendendo a arroba do boi gordo por R$139,99, valor 12,6% menor que o exigido para "empatar" a operação realizada com o boi magro adquirido no mercado.


A recria para engorda em pasto


A recria para terminação dos bovinos em pasto, antes da análise econômica, precisa passar pela análise do mercado.


Iniciado no final de 2013, o período de alta do ciclo pecuário completará em 2015, pelo menos, o segundo ano de forte valorização da arroba, em um ambiente macroeconômico nada propício para isso.


Não há muito espaço para a indústria repassar grandes altas para a carne. A inflação corrói o poder de compra da população. Ou seja, mesmo que a oferta seja pequena, a diminuição da margem da indústria poderá limitar as valorizações. Figura 1.


Ainda que todos os ajustes necessários à economia sejam concluídos em 2015, certamente 2016 será um ano de desempenho lento da economia. Os dados divulgados pelo Banco Central indicam isso.


Ou seja, a força de venda de carne, assim como de todo varejo, não deverá ser grande. 



Será preciso atenção em 2016, embora, a expectativa seja de um ano de preços firmes. A maior preocupação para quem comprar bezerro desmamado em 2015 será a data de entrega do boi terminado.


Se este bovino atingir o peso de abate com 2,5 anos de idade, aos 30 meses, índice bom em relação a média da pecuária nacional, este deverá ser entregue à indústria em 2017, quando a reposição do rebanho, através da retenção de matrizes, pode tirar a força ou até mesmo mudar o cenário altista de preços. Aí está o risco. Comprar o bezerro "caro" e vender o boi "barato".


Por fim, a melhor estratégia em anos reposição com cotações elevadas como em 2015, é aproveitar, ao máximo, o momento de alta para vender o boi gordo. Encurtar o ciclo de produção , por exemplo, seria uma estratégia.