Scot Consultoria
www.scotconsultoria.com.br

Carne bovina: vale a pena atender a União Européia?

por Fabio Lucheta Isaac
Quarta-feira, 5 de setembro de 2007 -10h04
Mercado chato esse. Para exportar carne bovina para a União Européia, é preciso, no mínimo, ter status de zona livre de febre aftosa com vacinação e rastreabilidade. Os frigoríficos ainda precisam trabalhar com HACCP (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle).

Se o destino for as grandes redes de varejo da UE, que absorvem cerca de 65% de toda a carne que chega lá, os frigoríficos terão que contar com a certificação BRC (British Retail Consortium), focada em qualidade e gestão de processos. Agora, se o importador for a Tesco, que é a maior rede de varejo da Europa, é preciso que os fornecedores dos frigoríficos, no caso os pecuaristas, possuam certificação Eurepgap. Esse é um protocolo completo de boas práticas de produção, que engloba bem estar animal, sanidade, respeito à legislação ambiental e trabalhista, treinamento e motivação da mão-de-obra, controle de resíduos, etc.

Fora tudo isso, a tarifa de importação extra-cota da UE chega a 12,8% + 3.041 euros por tonelada, ou seja, viabiliza apenas a comercialização de cortes nobres, como o alcatra, o filé mignon e o contra filé. Nada de dianteiro. Sem contar o lobby, por parte, principalmente, de irlandeses e ingleses, contra a presença da carne bovina brasileira no continente.

Diante disso tudo, é de se pensar: vale a pena exportar para a UE? Lógico que sim.

A União Européia é o maior importador de carne bovina brasileira, no primeiro semestre deste ano respondeu por 34% do nosso faturamento. Pelo fato de ser exigente e comprar apenas cortes de traseiro, o preço médio de exportação para a UE é significativamente mais alto do que a média. Acompanhe na figura 1.



Sem contar que, com um déficit de 600 mil toneladas/ano e renda per capita de mais de US$30 mil, esse realmente é um “mercadão”, que ainda tem muito potencial de crescimento. (FTR)