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Abate de bovinos e frango cai no 1º tri

por Equipe Scot Consultoria
Quarta-feira, 1 de julho de 2009 -15h53
Os abates de bovinos e frangos confirmaram as expectativas do mercado e registraram quedas significativas no país no primeiro trimestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2008, conforme levantamento divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os abates de suínos, em contrapartida, cresceram, também em linha com as previsões. Em relação ao quarto trimestre do ano passado, os abates caíram nas três frentes.

A explicação para a diferença de comportamento na comparação entre os primeiros trimestres está nas exportações. Enquanto os volumes de carnes bovina e de frango embarcados de janeiro a março diminuíram em decorrência da crise global aprofundada a partir de setembro, os de carne suína - a mais consumida do mundo - registraram aumento.

Segundo o IBGE, os abates brasileiros de bovinos somaram 6,446 milhões de cabeças até março passado, baixas de 11,1% sobre o primeiro trimestre de 2008 e de 3,6% na comparação com o quarto trimestre do ano passado. Os abates de frango alcançaram 1,122 bilhão de unidades, quedas de 5,8% e de 10,8%, respectivamente. Já os de suínos atingiram 7,322 milhões de animais, 7,1% mais que entre janeiro e março de 2008, mas 1,2% menos que de outubro a dezembro.

“Era uma queda esperada. Vivemos um período de ajuste produtivo na pecuária (bovina) há mais de dois anos, após redução de investimentos e abate de matrizes. E mais recentemente veio a crise, com o fechamento de unidades no país”, afirmou Fabiano Ribeiro Tito Rosa, da Scot Consultoria. Segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos, cerca de 50 unidades chegaram a ser fechadas no país desde o fim do ano passado, em parte em consequência de pedidos de recuperação judicial de companhias como Independência, Margen, Quatro Marcos e IFC, entre outros.

Tito Rosa acredita que o IBGE mostrará melhora dos abates no segundo trimestre de 2009, já que as exportações reagiram e algumas unidades que estavam paradas voltaram a operar. “A oferta de gado aumentou, mas haverá redução no terceiro trimestre, já por conta da entressafra”, afirmou.

Também na área de frango já há sinais de recuperação, de acordo com Oto Xavier, da Jox Assessoria Agropecuária. Em maio, a produção nacional de pintos de corte somou 461,8 milhões de unidades, maior patamar desde outubro do ano passado. No período de 12 meses encerrado em maio, foram 5,4 bilhões de unidades, 2,6% mais que no ano-móvel anterior.

Os abates de suínos, por sua vez, ainda dependerão dos rumos da gripe A(H1N1). O segmento pressionou e conseguiu que a doença não fosse chamada internacionalmente de “gripe suína”, mas a disseminação continua e futuros reflexos na demanda não podem ser descartados, mesmo com as garantias das indústrias e das agências de saúde de que o consumo da carne não transmite o vírus.

O levantamento do IBGE também mostra que a captação de leite permaneceu relativamente estável no país no primeiro trimestre (foram adquiridos 4,954 bilhões de litros no período), que a aquisição de couro recuou para 7,702 milhões de unidades e que a produção de ovos de galinhas cresceu para 580,305 milhões de dúzias.

Fonte: Valor Econômico. Agronegócios. Por Fernando Lopes. 1 de julho de 2009.