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Brasil negocia com Europa menos restrições à carne

por Equipe Scot Consultoria
Terça-feira, 13 de julho de 2010 -09h10
Ministro da Agricultura discute em Bruxelas a redução de exigências para a exportação do produto nacional

Na primeira vez em que o ministro da Agricultura reuniu-se com autoridades da União Europeia para tratar das restrições à carne brasileira, Wagner Rossi obteve uma sinalização positiva no sentido de abrandar as normas de importação. No encontro com Rossi ontem em Bruxelas, na Bélgica, o comissário da Saúde e Defesa do Consumidor do bloco, John Dallique, disse que vai estudar “com cautela” a proposta.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que as vendas de carne in natura para a União Europeia despencaram de 313 mil toneladas em 2006 para 44,7 mil no ano passado. Das mais de 8 mil propriedades que exportavam para o bloco, restaram menos de 2 mil.

– É boa (a presença do ministro) porque eleva o tom da negociação. Esperamos resultados mais rápidos a partir de agora – disse o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Otávio Cançado, que integra a comitiva.

Para o consultor Alex Lopes da Silva, da Scot Consultoria, a presença de Rossi pode ajudar a convencer os europeus sobre a qualidade da carne brasileira:

– Nosso sistema de rastreabilidade está consolidado. Só falta um pouco de bom-senso para aceitar regras menos restritivas.

Os problemas comerciais com a UE começaram no final de 2007, quando o bloco determinou a adequação das propriedades ao Sistema de Rastreabilidade (Sisbov) que monitora eletronicamente a performance sanitária de cada animal. Como muitos produtores não cumpriram a exigência, as importações da UE foram interrompidas durante um mês.

O secretário estadual da Agricultura, Gilmar Tietböhl, disse que a reabertura do mercado europeu é fundamental para os produtores locais:

– Nosso mercado interno está aquecido, por isso os danos (das ações restritivas) não são tão grandes. Mas é necessário investir nas alternativas para cenários menos favoráveis.

Hoje, a agenda de Rossi prevê reuniões com o presidente da Comissão de Comércio Internacional da UE, Vital Moreira, e com o comissário de Agricultura e Desenvolvimento Rural, Dacian Ciolos.

115 propriedades gaúchas são aptas

O Rio Grande do Sul tem 115 propriedades aptas a exportar para a União Europeia e quatro em processo de certificação, informa o secretário estadual da Agricultura, Gilmar Tietböhl. No total, as vendas ao bloco ficaram em cerca de 2,2 mil toneladas no ano passado.

Ao lamentar os problemas comerciais com a UE, o diretor executivo do Sindicato da Indústria da Carne e Derivados do Rio Grande do Sul, Zilmar Moussale, traduz em números as possibilidades que podem se abrir com a solução para as restrições:

– Potencialmente, o Estado tem um rebanho de 120 mil cabeças para exportar para a Europa. Isso não é nada.

Fonte: Zero Hora. Economia. Por Flavio Ilha. 13 de julho de 2010.