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Inflação no campo está maior que a registrada na cidade

por Equipe Scot Consultoria
Quinta-feira, 31 de julho de 2008 -09h57
A inflação no campo está acima da verificada na cidade. Estudo da Scot Consultoria mostra que, no acumulado do ano, o custo da pecuária leiteira e de corte foi superior ao custo de vida nas cidades. O mesmo ocorreu no mês de julho e no período dos últimos doze meses. A chamada “crise dos alimentos”, que elevou o preço das commodities agrícolas e, deste modo, levou a “roldão” outros produtos, como o dos adubos e suplementos minerais, é a explicação para a diferença.

Além de viver um período com custo mais alto, o produtor não está conseguindo repassar toda esta elevação. Os preços recebidos não subiram mais que a inflação ou que os custos. No mês de julho houve perda nas duas atividades, enquanto no ano, a valorização do preço do leite está superior ao aumento nos preços e, em 12 meses, o boi teve cotação com alta superior à verificada no custo. Mas na comparação com a inflação, as duas atividades perderam no mês, no ano e em 12 meses. Os valores foram calculados a partir de uma estimativa do IGP-DI, que deve ser divulgado nos próximos dias. Pela projeção da consultoria, o índice fechará julho em 1,90%.

”Os custos estão sendo absorvidos pelo produtor e pela indústria”, diz Maurício Palma Nogueira, analista da Scot Consultoria. Segundo ele, a maior pressão ocorre para a indústria e, depois, para o produtor. “O consumidor sente parte da inflação dos alimentos, que teriam de ter aumentado mais. Além disso, os alimentos ficaram quase 15 anos sem reajustes”, afirma.

Em 12 meses

Nogueira lembra que, no caso do agronegócio, o melhor parâmetro para comparação é o anual, por causa da sazonalidade da atividade. No período de 12 meses, os custos que mais subiram foram os da pecuária de corte: 53,05%. Na mesma comparação, os preços da atividade se elevaram 42% e a inflação, medida pelo IGP-DI somou 14,11%. “Os custos da atividade leiteira subiram mais em 2007. Agora a elevação ocorre mais na pecuária de corte”, acrescenta. Segundo ele, no caso da pecuária de corte o maior aumento é no adubo e na suplementação mineral. Enquanto o adubo responde por 8%, a suplementação representa entre 18% e 22% do custo da atividade. No período de um ano, os preços dos fertilizantes se reajustaram em mais de 100% e os da suplementação, 170%.

Para a atividade leiteira, o maior peso é o dos concentrados (que basicamente têm grãos): 40% do custo, enquanto os adubos respondem por 12% a 15%. Em um ano, os valores pagos por concentrados subiram 65%.

Nogueira lembra também que outros custos subiram de forma significativa no período de um ano, como o dos defensivos (14,5%) e o do óleo diesel (14%).

Carne pior

Apesar de, teoricamente, os números em um ano serem mais favoráveis à pecuária de leite, em relação à perda para a inflação ou na comparação com os preços, Nogueira afirma que a atividade está melhor que a de corte. Isto porque, segundo ele, em 2007, os preços do leite subiram e os do boi gordo não. E, neste ano, os do leite, mesmo que em menor variação, estão mais altos, enquanto o “boom” do boi gordo ocorre em 2008.

Quando os números das duas atividades são comparados mês a mês, no período de um ano, fica clara a perda da pecuária de corte maior que a do leite. Em 12 meses, os custos da criação de bovinos de corte só tiveram reajustes abaixo da inflação duas vezes. Na mesma comparação, a pecuária leiteira ganhou seis vezes da inflação.

Quando a comparação é apenas o ano de 2008, mais uma vez a pecuária de corte perde. Todos os meses do ano os custos desta atividade foram superiores à inflação. Na mesma comparação, o leite teve reajuste maior apenas duas vezes.

Analisando-se os preços das duas atividades no ano de 2008, o leite teve perda em dois meses (as cotações caíram) e o boi, em apenas um (janeiro).

Segundo levantamento da Scot Consultoria, em julho, os preços médios do leite caíram 2,45%. Os do boi subiram 1,08%. O estudo mostra que, de 17 estados pesquisados, 14 tiveram recuo nas cotações de leite. Nogueira lembra que a estimativa é de melhora em agosto. A explicação para esta queda seriam as vendas menores (férias escolares) e os estoques das indústrias. Além disso, segundo ele, em algumas regiões houve aumento de produção, pelo maior volume de vacas paridas no período ou pelo fornecimento de ração.

Fonte: Gazeta Mercantil. Agronegócio. Por Neila Baldi. 31 de julho de 2008.