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Oferta de leite subiu 10% no primeiro semestre pressionando o mercado para baixo

por Rafael Ribeiro
Quinta-feira, 28 de outubro de 2010 -12h39
Um dos fatores de baixa do preço do leite na entressafra foi o aumento da produção.

De acordo com a Pesquisa Trimestral do Leite, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de janeiro a junho foram adquiridos 10,14 bilhões de litros de leite, aproximadamente 10% mais que no mesmo período do ano passado. Veja a figura 1.



Este volume refere-se ao leite cru captado pelos laticínios e cooperativas com algum tipo de inspeção, seja federal, estadual ou municipal.

Se em 2009 o fator crise pesou negativamente no preço do leite, diminuindo os investimentos na atividade, em 2010 o incremento da produção foi incentivado pela elevação dos preços ao produtor nos primeiros meses do ano (figura 2).



Lembrando que em algumas bacias a valorização de janeiro a maio foi superior a 20%.

Somado a isto, a alimentação barata possibilitou uma melhor suplementação do rebanho no início do período seco e a produção aumentou.

O mercado de fato esteve mais ofertado no início desta entressafra.

Para se ter idéia, desde maio o preço do leite caiu 5% em São Paulo, 6,5% em Minas Gerais e 12% em Goiás.

Hoje o cenário mudou um pouco, mas nem mesmo a seca que comprometeu fortemente a qualidade do capim em diversas regiões, refletindo diretamente na oferta de leite, foi suficiente para elevar as cotações.

O preço do leite ao menos parou de cair. Mas somente agora no pagamento de outubro (referente ao leite entregue em setembro) é que se ouviu falar em possibilidade de alta.

Diante disso, a preocupação gira em torno dos custos de produção que subiram consideravelmente neste segundo semestre.

De acordo com o Índice Scot para o custo de produção da pecuária de leite (ICPL), em outubro o custo da atividade subiu 11% em relação ao mês anterior. Desde julho o aumento é de 23%.

A figura 3 mostra este incremento nos gastos do pecuarista, em especial com a alimentação.



Os valores atuais ultrapassam os do final do primeiro semestre de 2008, quando uma bolha especulativa no mercado elevou os preços das commodities e insumos agrícolas em geral.