A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgou, na segunda-feira, 6 de janeiro, os dados das exportações brasileiras de carne bovina in natura congelada ao longo de 2025. No total, o Brasil embarcou 3,1 milhões de toneladas para o mercado internacional, tendo a China como principal destino, com participação de 53,2% do volume exportado. O México respondeu por 3,9% do total enviado pelo país no ano.
As taxações aplicadas sobre o volume excedente de carne exportada para a China e para o México têm movimentado o mercado neste início de ano, embora, até o momento, não tenham provocado impactos diretos nas cotações. A Scot Consultoria avalia que um cenário de maior estresse pode se materializar no final do ano, período em que o volume exportado tende a se aproximar do limite estabelecido pelas cotas.
No caso da China, passaram a estar sujeitos ao sistema de cotas países como Brasil, Argentina, Uruguai, Nova Zelândia, Austrália e Estados Unidos, além de outras origens que, juntas, detêm uma fatia menor do total. A salvaguarda chinesa entrou em vigor em 1º de janeiro e deve permanecer válida até 31 de dezembro de 2028, sob a justificativa de dano grave à indústria doméstica. Já no México, a medida se aplica a países fora da América do Norte com os quais não há acordo comercial vigente, com validade até 31 de dezembro de 2026.
Nesta entrevista, o professor do Insper Agro Global, Marcos Jank, analisa os possíveis desdobramentos desse cenário e discute quais caminhos o Brasil pode adotar para evitar que o redirecionamento dos embarques resulte em saturação do mercado interno.
Marcos, antes de tudo, para entendermos melhor sobre o nosso maior importador até o momento, o que está acontecendo? E as taxações de excedentes de volume de carne bovina são só para China continental ou Hong Kong entra no pacote?
Marcos Jank: Deixe-me só fazer aqui um preâmbulo que é importante para o leitor entender. Infelizmente, o que está acontecendo com o mundo – não é só agora com o Trump –, e já vinha acontecendo isso desde 2010, é que as regras do jogo já não existem mais.
Então, tudo aquilo que foi negociado desde o pós-guerra, por exemplo, na Organização Mundial de Comércio, que são regras para uso de tarifas, de cotas, de salvaguardas, de barreiras sanitárias, de barreiras técnicas, de antidumping etc. Tudo isso tinha uma regra rígida e que os países teriam que seguir. E se eles não seguissem, poderia se abrir um painel, e do painel iria para o órgão de apelação e podia haver uma punição ao país. Isso desapareceu. Então, o que a gente está vendo desde a pandemia e agora, ainda mais com o Trump, é que os países tomam atitudes que não tem para quem reclamar. De repente, o governante acorda e fala “estou com um problema aqui dentro, está sobrando o produto, então eu vou botar uma cota ou vou botar uma salvaguarda”, ou então “vamos botar uma tarifa mais alta”. E agora, se a gente pegar a carne bovina, a gente está com problema em pelo menos quatro lugares. A gente teve um aumento brutal de tarifa com os Estados Unidos. Essa tarifa de 50,0% era totalmente proibitiva, porque não era 50,0%, era 50,0% mais os 26,0%. Então, mais de 70,0%. E aí, por sorte nossa teve um impacto de inflação nos Estados Unidos. A gente conseguiu reabrir os Estados Unidos. Não foi porque o governo brasileiro foi lá e negociou, não. Foi porque deu um impacto inflacionário, como também deu em café e eles acabaram tirando a tarifa. Mas a gente sofreu com isso. Agora tem uma negociação entre União Europeia e Mercosul que deve fechar até o dia 12. Europa e Mercosul hoje estão muito espremidos na geopolítica, porque os Estados Unidos abandonaram a Europa. Do outro lado tem a Rússia. A América Latina tem um monte de pressão americana. Então, a ideia de Mercosul e União Europeia, que está em pauta há 25 anos, deve virar acordo. Mas não só com cotas muito pequenas. Por exemplo, na carne bovina, são só 99,0 mil t. É quase nada para os quatro países do Mercosul. Agora eles estão colocando uma salvaguarda especial, que se aumenta o volume de importação, aciona a salvaguarda, bota tarifa. Então, estamos com um problema de tarifação. Tivemos lá nos Estados Unidos, estamos com um problema lá na Europa, a China na virada do ano concluiu um ano de investigação da salvaguarda especial e implementou uma cota que é cerca de 30,0% mais baixa do que o que nós estamos exportando hoje. Então, depois de vários anos crescendo a exportação para a China, vamos ter agora que nos enquadrar numa cota, porque a tarifa extracota, que a China está colocando, é de 55,0%, isso é proibitivo.
A China acordou em 2026 colocando barreira no nosso crescimento em carne bovina. E o mais recente, o México, que depois de três anos da criação desse programa chamado Pacic – um programa de segurança alimentar, exatamente por causa do custo alto da carne por lá –, eles resolveram fazer um esquema de tarifa de 70 mil t, eles estão importando mais de 100 mil t. E se passar da cota, vai ter uma tarifa de 20,0%. Ou seja, tarifa, cota e salvaguarda voltaram à tona em tudo que é lugar. Em resumo, estão todos aumentando barreiras e estão todos com o problema de que a indústria doméstica reduziu a sua capacidade produtora. Isso aconteceu na Europa, aconteceu no México, aconteceu nos Estados Unidos, aconteceu na China. Então é um paradoxo, quer dizer, no momento que esses países deveriam estar importando ainda mais para reduzir o custo da carne para o consumidor, eles aumentam as barreiras. E a gente tem que lidar com isso e não tem para quem reclamar. Temos que ir lá ver se o papa resolve, porque não tem outra saída. Então a realidade hoje, infelizmente, é essa.
Mas a medida de salvaguarda é só para a China continental, até porque não existe cota para dois países. Hong Kong nunca quis impor restrição, porque eles são um porto, quase que uma porta para a China, criada desde o Império Britânico. Então Hong Kong acaba servindo para compra de muita carne e mais barata, uma parte disso vai parar na China por vias não muito claras. É tipo uma torneira que abre e fecha.
O que o Brasil pode fazer com relação a negociação? Assumir o restante da cota de países que podem não alcançar o limite estabelecido para eles é uma opção?
Marcos Jank: É, eu acho. Eu acho que a primeira coisa que a gente deveria fazer é reclamar da cota. A cota de 1,1 milhão de toneladas está muito abaixo do que estava sendo falado. Estava se falando em 1,4 milhão de t, 1,5 milhão de t, que é próximo do que a gente exporta agora. Mas 1,1 milhão de t ficou bem abaixo. E isso vai ter impacto inflacionário. Acho que a gente deveria ir lá e mostrar para a China, como também aconteceu lá com os Estados Unidos, que não é muito inteligente. É claro, eles têm todo o direito de se proteger, e de subsidiar a indústria doméstica, considerando que a indústria doméstica chinesa de carne bovina é muito atrasada, que é muito pouco competitiva. Mas uma coisa é proteger a indústria doméstica, outra coisa é travar a importação. Lá nos Estados Unidos, eles travaram e depois tiveram que abrir. Então, a gente devia chegar para os chineses e falar “olha, vamos tentar fazer uma coisa mais razoável, começar pelo menos no nível próximo ao que está hoje. E daí a gente não cresce tanto”. Mas eu acho que eles foram muito drásticos nisso.
E a tarifa extracota é muito alta. A tarifa extracota do México é de 20,0%, enquanto a da China é de 55,0%, acrescida da tarifa anterior de 12,0%, totalizando 67,0%. Por ser adicional à tarifa original, seu efeito é totalmente proibitivo.
Deveríamos, portanto, primeiro ampliar a cota e a segunda coisa é tentar remanejar cotas não usadas. Os Estados Unidos não estão cumprindo as cotas, porque estão com problema interno. Pelo que entendi, o Uruguai e a Argentina também teriam uma sobra de cota. E essas cotas poderiam ser remanejadas para cá.
E isso exige uma presença muito maior nossa na China. Às vezes eu fico assustado, porque nos últimos 20 anos a gente cresceu muito no mercado de agro, nas exportações de agro, sem precisar fazer grande esforço. O mundo vinha aqui e buscava produtos. Nos próximos 20 anos não vai ser assim. A gente tem que estar lá, a gente tem que estar conversando. O mundo está muito bicudo, está muito complicado. A Abiec, a ABPA e o governo brasileiro têm que montar uma força-tarefa para segurar essas coisas, porque eu acordo de manhã e já falo: “o que vai acontecer hoje?”.
Uma dúvida muito recorrente é sobre o tipo de carne que será considerada para taxação. No caso da China, é só para carne bovina in natura ou também engloba carne processada? E no México, as carnes bovina e suína que serão taxadas englobam esses dois tipos ou apenas carne in natura?
Marcos Jank: Normalmente essa taxação pega o resfriado e o congelado, às vezes não pega os processados, mas na verdade, o que interessa para nós é principalmente a carne bovina in natura congelada. Porque a gente faz pouco lá no resfriado e pouco lá nos industrializados, então o que interessa mesmo é o capítulo das carnes in natura. [E as miudezas] elas são normalmente outro capítulo, mas também são muito importantes para a gente. Aliás, tem países que procuram isso fortemente, tem muita restrição ao exportar miudeza. Então a gente acaba tendo que navegar nessas várias categorias, nos vários países. O boi é uma coisa complicada, porque você tem um breakdown do boi, ao contrário de um automóvel, que é uma cadeia de montagem e você vende o carro no fim, essa é uma cadeia de desmontagem. As empresas têm que colocar as diversas partes nos melhores lugares do mundo. Isso é uma tarefa difícil, porque inclusive agora, com tarifa, com cota, fica ainda mais difícil.
Na sua visão, você acredita que a taxação no México é um alinhamento com os Estados Unidos? Se sim, acha possível reverter este cenário?
Marcos Jank: A relação Estados Unidos/México é uma relação umbilical fortíssima, que já tem 31 anos o acordo NAFTA – apesar de que o Trump agora está querendo rever, mais uma vez. Mas é uma relação como se fosse um país único. Tem movimentos transfronteiriços de carne e de boi vivo em grande quantidade também. Eles sempre vão priorizar a relação com os Estados Unidos, isso não há dúvida, mas a verdade é que tanto os Estados Unidos como o México estão num momento de dificuldade de produção. Aí o Brasil entra com crescimento de 26,0% ao ano, na direção dos Estados Unidos. Tivemos uma explosão grande de crescimento para os Estados Unidos, exatamente porque eles estão com dificuldade de produzir e o México também. O México, inclusive com dificuldades para exportar para os Estados Unidos por causa daquela doença [bicheira do Novo Mundo]. Acabamos exportando para o consumo interno do México, e o México exportando em condições normais para os Estados Unidos. Existe uma questão conjuntural, a principal razão que o México liberou durante os últimos três anos, a nossa entrada foi porque estava havendo um impacto de inflação alta no México. O Pacic é um programa dedicado a combater a inflação e carestia.
O problema é que o Brasil é tão forte, tão competitivo, que quando uma porta se abre, a gente cresce muito rápido. Você pode ver o que foi a safra de soja desse ano, a safra de milho. E isso acontece no boi, isso acontece no açúcar, acontece em várias frentes e isso assusta a indústria doméstica dos países. É uma realidade que se repete o tempo inteiro. Essa que é a verdadeira razão, na minha opinião. Não acho que exista da parte dos Estados Unidos uma questão muito relevante em relação à geopolítica, porque não é aí que está pegando. Os Estados Unidos precisam, na verdade, reconstruir a sua própria indústria. A gente entra nos Estados Unidos com uma carne de dianteiro que vai servir para hambúrgueres etc., e mais barata do que a carne mexicana e a carne australiana. Então a gente realmente está em um segmento que a gente é muito forte e tem muito volume.
É possível que essa carne que saía do Brasil direto para a China e para o México, passe a sair como gado vivo através de países que fazem divisa com alguns estados brasileiros, a partir de uma possível aproximação das indústrias frigoríficas desses países, que podem se beneficiar do bom preço da nossa produção para fazer negócio?
Marcos Jank: Quando surge cota, e a cota é diferente, ou quando tem tarifas diferentes também, o que pode acontecer – obviamente que existe essa possibilidade –, é que os grandes frigoríficos, já estão operando em vários países. E eles fazem naturalmente o seu remanejamento. Aqui na América do Sul tem o Minerva, que opera em todos os países, tem a JBS, que opera mais globalmente, Estados Unidos, Austrália etc.
Quando o Trump botou tarifa aqui no Brasil, aumentou muito a exportação da Argentina e do Paraguai para os Estados Unidos. E a carne brasileira acabou indo mais para a China. E é por isso que a indústria chinesa reclama. Mas o movimento de gado em pé é complicado, porque para atravessar a fronteira existem questões sanitárias, por isso eu não acho que é por aí, não. Acho que o remanejamento é natural dessas falhas de mercado que vão surgindo por causa do protecionismo.
Agora, para o Brasil como país, o que interessa é a gente evitar essas coisas. É claro que o remanejamento é uma situação temporária que em um ano pode ser que funcione, mas depois, já não funciona. O que a gente tem que fazer é recuperar o livre acesso. E o livre acesso, infelizmente, daqui para frente não vai ser tão fácil. A gente sempre entendeu assim: “o mundo vem aqui, compra o que a gente faz cada vez mais”. Agora não é assim, os países estão falando de soberania, estão falando de segurança alimentar, estão usando tarifa, cota e salvaguardas à torto e à direito, sem seguir regra nenhuma. Estamos numa realidade de lei das selvas e nós temos que sobreviver. Pode ser que a gente tenha uma arma maior, pode ser uma faca, ou então vai ter que ser na paulada. É preciso brigar nesse mundo que não tem regras.
Como os pecuaristas exportadores, especificamente, vão precisar se proteger diante deste cenário, pensando em questão de rentabilidade
Marcos Jank: Eu acho que no fim, essas coisas acabam se transmitindo para os preços. E, obviamente, quando tem cota, você tem também toda a briga da cota. Quem que vai ficar com a cota? Temos que ter regras nesse negócio. Tem que ter uma conversa, tem que ter um entendimento permanente da situação.
O mundo tem um problema de necessidade de carne, e essa é a nossa sorte, porque se a gente tivesse hoje uma situação de excedente de carne no mundo e os países resolvem colocar tarifa, cota, salvaguarda, a gente estava enrolado. Mas a gente está numa situação que existe um déficit de carne no mundo, que grandes países, como Estados Unidos, México, China e a União Europeia estão tendo redução de produção. Se você pegar produção menos consumo, você vai ver que esses países estão com déficit. E nós aqui na América do Sul estamos com superávit. Isso se chama “Lei da Oferta e da Procura”, que é a única lei que ninguém consegue revogar. E essa lei nos coloca numa situação que se esses países enfiam um monte de tarifa, salvaguarda e cota, eles vão ter aumento de preço da carne lá no prato do consumidor deles. E em alguns países, essa carne é caríssima.
A Scot Consultoria tem visto que hoje o mercado se manteve estável apesar dessas últimas notícias, contudo, é previsto que mais ao final do ano o estresse pode começar a surgir, quando o Brasil se aproximar do volume máximo das cotas estabelecidas pelos países importadores da nossa carne. Olhando para os dados oficiais da Secex, divulgados no último dia 6 de janeiro, o Brasil exportou 3,1 milhões de toneladas de carne bovina para o mundo, onde a China participa de 53,2% desse total e o México participa 3,9%. Como pode ser o impacto ao longo dos próximos três anos de salvaguarda chinesa e desse um ano do Pacic mexicano?
Marcos Jank: Bom, primeiro vai ter sempre essa confusão que é trabalhar com cota. E agora, temos cota no México, na China, na Europa, e vamos ter que viver com isso. Se a gente conseguir aumentar o volume da cota via negociação ou se a gente conseguir remanejar a cota, eu acho que a gente mitiga esse problema. Se não conseguirmos fazer isso, teremos que buscar outros mercados. Se puser aqui dentro esse produto vai derrubar preço [de boi], que é o que o produtor não quer. Até aqui a gente tem sido bom nessa coisa de buscar alternativa, porque o mundo precisa de carne. O consumo de carne bovina ainda cresce no mundo em desenvolvimento.
E, por outro lado, você não tem produtores com capacidade de expandir muito. A única região grande de expansão hoje é a América do Sul. Os Estados Unidos, a Europa, a China, a Austrália e a Índia estão retraídos, ou seja, a gente acaba sendo um player realmente muito importante, com poucos concorrentes à frente, ao mesmo tempo vivendo uma volatilidade, que agora é agravada por essas medidas comerciais.
Para finalizarmos, em meio a questão protecionista que alguns países parceiros do Brasil têm adotado, é possível que vejamos a abertura de mercados que ainda não foram acessados e/ou a reabertura de outros?
Marcos Jank: A gente tem que brigar para abrir os mercados que estão fechados ainda. Essa tem que ser uma luta diária. A gente não pode ficar dormindo em berço esplêndido, porque a gente tem China, tem Estados Unidos, agora o México. Precisamos abrir [o mercado] do Japão, tem que abrir Coreia, Indonésia que abre e fecha, tem que abrir Tailândia, tem que abrir Turquia. Acho que tem uma série de países que são super relevantes e que a gente tem que trabalhar a abertura desses mercados. E dentro da própria carne bovina, esse ponto que você colocou anteriormente, não é só carne in natura , tem espaço para produtos mais processados, tem espaço para miúdos, tem espaço para segmentos como a questão dos orgânicos, por exemplo, ou de baixo carbono que precisa aproveitar também. Eu acho que é uma questão de diversificar mercados de destino e diversificar os produtos da carne, as categorias da carne. Ao mesmo tempo, trabalhar o acesso ao mercado. A gente não pode engolir esse monte de cota e assumir que está certo.
Essas cotas são medidas arbitrárias, protecionistas, que não estão seguindo regras internacionais. Teve até gente que me perguntou “será que não é o caso de chegar para a China e falar, ‘China, já que vocês estão querendo proibir o boi, nós vamos proibir os seus carros elétricos aqui’”. Mas sabe que, infelizmente, é para onde está indo, para o rumo do “Toma Lá Dá Cá”. É claro que não é o mundo que a gente quer. Eu sou absolutamente contra isso. Eu dou aula para dizer que isso é um desastre, mas é o mundo que nós estamos vivendo.
O avanço de medidas protecionistas no comércio internacional de carne bovina impõe ao Brasil um desafio que vai além da competitividade produtiva. Em um cenário marcado por cotas, tarifas e salvaguardas, a manutenção do equilíbrio entre exportações e mercado interno dependerá de atuação diplomática mais ativa, diversificação de destinos e ampliação do diálogo com os principais parceiros comerciais, para que o país consiga preservar o escoamento da produção sem comprometer a rentabilidade da cadeia pecuária.