Preços estáveis para o couro verde, com pouquíssimos negócios.
Além de final de ano ser um período tradicionalmente morno, o fraco desempenho das vendas nos últimos meses, a crise econômica e a retração da produção de matéria-prima (com vários frigoríficos parados ou trabalhando bem abaixo da capacidade normal) deixam o mercado travado.
Os agentes do setor estão de olho em 2009. A maioria acredita que o começo do ano, principalmente os três primeiros meses, ainda será difícil, com negócios truncados e preços em baixa. Mas estão confiantes de que a situação mudará assim que a crise começar a ser debelada.
Um dos principais efeitos da crise sobre o mercado do couro verde foi a perda da correlação com o dólar.
Como o couro é produto de exportação (cerca de 80% da produção nacional é negociada no mercado externo), o dólar sempre exerceu forte influência na formação dos preços internos.
Até pouco tempo atrás, quando o câmbio subia, o couro verde tendia a subir também. E quando o câmbio caía, o couro verde ia atrás. Mas agora as coisas mudaram. Veja na figura 1.

A correlação entre o couro verde e o dólar, que sempre esteve acima de 0,7 (portanto sempre foi alta), agora está negativa, ou seja, se perdeu. Do início de outubro para cá, enquanto o dólar reagiu 24%, o couro verde de primeira linha no Brasil Central recuou 30%. O couro catado, na mesma praça, caiu 43%.
Como as vendas estão em queda, a desvalorização do real tem efeito comedido sobre os resultados dos curtumes. É lógico que vender pouco com câmbio a R$1,60 é pior do que vender pouco com câmbio de R$2,30. Mas nenhuma das duas situações é boa. A primeira é, apenas, “menos pior”.