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De olho no dólar

por Fabiano Tito Rosa
18/08/2008 - 16:58
Novo recuo para o couro verde no Brasil Central. O preço base do produto de primeira linha passou a R$1,20/kg. As justificativas dos curtumes são as mesmas das últimas semanas: a Europa ainda não voltou a comprar; a China está negociando menos, em função das Olimpíadas, e a demanda norte-americana recuou, reflexo da crise das hipotecas. Em síntese, os principais compradores do couro brasileiro estão com o “freio de mão puxado”. Na outra ponta, o dólar segue relativamente baixo. Mas vale destacar que, após um longo período de queda, ele voltou a firmar. A pergunta é: esse movimento é sustentado? Como o couro é produto de exportação (cerca de 80% da produção nacional é negociada no mercado internacional), as atenções do setor estão voltadas para essa questão. Para colaborar com o debate, reproduzimos aqui uma matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, em 11 de agosto, que trata justamente desse tema. O banco suíço UBS encerrou recomendação em investimentos em reais e passou a uma posição que definiu como "neutra". O fortalecimento do dólar nos mercados globais e a deterioração da conta corrente do país tornam a moeda brasileira mais vulnerável, segundo Paulo Tenani, analista-chefe do UBS Wealth Management. "Encerramos nossa recomendação de longa data para o real. Os retornos seguem muito generosos, porém, os riscos aumentam com demasiada rapidez", afirma Tenani, um dos primeiros analistas a apostar que o movimento de alta do real se acentuaria, quando ele ainda era incipiente. O estrategista-chefe do banco UBS considera que a tendência para o real não está mais tão clara como no passado. "Os fundamentos apontam para diferentes sentidos", diz Tenani. O banco, entretanto, não espera uma imediata mudança de cenário: as taxas projetadas são de dólar a R$1,60 em três meses e a R$1,70 em seis meses e em um ano. O dólar fechou a R$1,609 na sexta, quando subiu 1,07%. Na última semana, a moeda americana acumulou alta de 3,21%. A favor de uma moeda doméstica mais forte há os altos juros no Brasil, que estão em 13%. "As taxas de juros ainda dão sustentação ao real. Elas mais que compensam o investidor disposto a assumir o risco cambial", diz o analista. "Mas a conta corrente do Brasil está entrando em território negativo e se deteriora muito rapidamente", acrescenta. Para Marcelo Ribeiro, da Pentágono Asset Management, a tendência de alta do dólar é global "e veio para ficar". "As aplicações também estão migrando dos emergentes para a Bolsa norte-americana. O real está vulnerável e vai se depreciar pelos próximos dois ou três anos", afirma. Boa notícia para os exportadores, não só de couro. Ninguém espera, e também não seria bom para a economia nacional de forma geral, que o dólar voltasse para R$2,50 ou mais. De toda forma, R$1,50 também não dá.