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Couro em baixa, sebo em alta

por Fabiano Tito Rosa
18/10/2007 - 21:01
A cotação do couro verde, no mercado de primeira linha, voltou a recuar no Brasil Central. Agora, negócios na casa de R$2,10/kg ou R$2,15/kg ocorrem apenas com frigoríficos que conseguem algum tipo de bonificação. O preço referência é R$2,00/kg. No Rio Grande do Sul a pressão é baixista, mas por enquanto os preços seguem estáveis, com negócios a R$2,20/kg para o couro catado e R$2,80/kg para o couro verde de primeira linha. Os curtumes apontam a frouxidão cambial e as dificuldades de venda como os responsáveis pela retração dos preços da matéria-prima. Aliás, indicam que o “patamar de equilíbrio”, para o mercado de primeira linha, seria hoje algo em torno de R$1,80/kg no Brasil Central. Frente às cotações atuais, estaria difícil trabalhar com wet blue. Em situação um pouco mais confortável (ou menos desconfortável) estariam os curtumes que produzem couro crust e/ou acabado. Realmente, como visto nesta mesma coluna, na edição passada (edição 734), as exportações de couro recuaram. A crise do setor imobiliário dos EUA minou as vendas da indústria moveleira, com reflexos em nível mundial. Além do mais, de acordo com informações repassadas à Scot Consultoria por alguns curtumes, o governo chinês estaria cortando alguns incentivos à exportação de determinadas linhas de produtos manufaturados, incluindo aí alguns derivados de couro. Isso gera resistência a aumentos de preço e redução da demanda por couro importado. Vale destacar que a China é um dos maiores compradores de couro brasileiro. No acumulado de janeiro a julho deste ano, absorveu 24% dos embarques, em termos de valor. Só ficou atrás da Itália. Com relação ao volume, foi o principal destino, ficando com 37% de todo o couro que o Brasil disponibilizou no mercado internacional. Além dos problemas de escoamento, o câmbio segue frouxo, na casa dos R$1,80 por US$1,00, o que não agrada em nada os exportadores. A oferta reduzida segue como o único fator de sustentação das cotações do couro verde. Os compradores entrevistados pela Scot Consultoria afirmaram que, até algumas semanas atrás, a região de Goiânia – GO se destacava com uma disponibilidade de matéria-prima razoável. Agora, não tem couro em lugar nenhum. Até o couro salgado do Pará está difícil de encontrar. Primeiro, porque a oferta também diminuiu. Segundo, porque o Estado recebeu, recentemente, novos investimentos para curtimento, o que acabou com a sobra de matéria-prima que antes era escoada para o resto do País. Ao longo dos próximos dias o mercado do couro verde tende a continuar pressionado. Porém, se as ofertas se mantiverem nos atuais patamares, será difícil novos recuos. SEBO EM ALTA Já a cotação do sebo bovino reagiu tanto no Rio Grande do Sul, como no Brasil Central. Assim como acontece com o couro, há pouco sebo disponível no mercado. A diferença é que a demanda por sebo está aquecida, graças ao aumento da produção de biodiesel e ao bom desempenho do setor de higiene e limpeza. No mesmo período do ano passado, o sebo bovino era negociado a R$0,80/kg, tanto no Brasil Central quanto no Rio nde do Sul. De lá para cá, portanto, houve aumento de 50%. Vale destacar que, hoje, já acontecem negócios a R$1,30/kg. O preço do sebo está encostando na cotação do couro catado.