Não foram registradas alterações no mercado do couro verde, mas já começam a ocorrer alguns negócios acima do preço referência.
Tem couro de primeira linha a R$2,15/kg e até R$2,20/kg no Brasil Central e, no mercado comum do Rio Grande do Sul, foram registrados negócios a R$2,30/kg.
As ofertas permanecem bastante ajustadas. Nos últimos dias os abates chegaram a evoluir melhor, por conta da saída dos animais da primeira rodada dos confinamentos, mas diante das pressões baixistas por parte das indústrias frigoríficas, os produtores voltaram a cadenciar as vendas.
Além do mais, essa é uma condição típica de Brasil Central. No Sul e no Norte praticamente não tem confinamento e os abates, portanto, não evoluem.
Na outra ponta, graças aos reflexos da crise do setor imobiliário dos Estados Unidos, que afetou o mercado financeiro mundial, o dólar reagiu. Os preços do couro no mercado interno apresentam uma correlação alta com a cotação da moeda norte-america. Afinal, cerca de 80% do couro brasileiro é exportado.
A desvalorização do real afeta positivamente a margem dos curtumes, pois derruba os preços da matéria-prima (couro verde) em dólares. Acompanhe, na figura 1, o que aconteceu com o couro verde ao longo dos últimos dias. Em dólares, tanto para o mercado de primeira linha quanto o comum, as cotações recuaram 7%, no Brasil Central, entre os dias 1 e 21 de agosto.

Lógico que a crise pode se intensificar e levar à queda dos preços internacionais das
commodities de exportação, entre elas o couro. Por enquanto, tudo conjectura.
De toda forma, ao menos por hora, os curtumes avaliam que a desvalorização do real é muito bem vinda.