A contínua valorização do Real sustenta as pressões baixistas.
No Rio Grande do Sul, a oferta extremamente reduzida de matéria-prima confere certa estabilidade à cotação do couro verde. Porém, no Brasil Central, foi registrado recuo de R$0,05/kg no mercado comum, sendo que alguns curtumes apregoam baixa de R$0,10/kg, para a próxima semana, no mercado de primeira linha.
Os exportadores alegam dificuldade para repassar os custos aos compradores. Portanto, com o dólar em baixa, a cotação do couro verde também “tem” que cair.
Veja na figura 1 a variação do câmbio, com base no dólar comercial venda, ao longo deste ano (janeiro a maio). Nesse período, o recuo foi de 7%.

Diante desse cenário, os curtumes do Brasil Central podem mesmo voltar a testar preços mais baixos ao longo dos próximos dias, apesar da oferta relativamente reduzida de couro verde.
EXPORTAÇÕES DO COMPLEXO COURO
As exportações do complexo couro, que engloba os couros propriamente ditos (salgado,
wet blue, crust e acabado), calçados e demais artefatos de couro, alcançaram 47,05 mil toneladas em abril, com faturamento de US$342,31 milhões. As informações são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
No acumulado do primeiro quadrimestre do ano, foram embarcadas 191,26 mil toneladas, com receita de US$1,45 bilhão. Em relação ao mesmo período do ano passado, houve aumento de 16% em valor e 7% em volume.
Somente as exportações de couro registraram crescimento de 10% em volume e 36% em faturamento ao longo desse período. Portanto,
o que “amarrou” o resultado das exportações do complexo couro foram os calçados, cujas vendas no mercado internacional despencaram 7,5% em volume e reagiram apenas 1,3% em receita entre os primeiros quadrimestre de 2006 e 2007.