Scot Consultoria
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O assunto ainda é o dólar

por Fabiano Tito Rosa
18/05/2007 - 09:33
As cotações do couro verde seguem estáveis, mas o mercado, por conta do câmbio, está bastante especulado. No dia 15, terça-feira, a cotação do dólar comercial fechou no patamar mais baixo desde 31 de janeiro de 2001, R$1,982. Rompeu, portanto, a barreira dos R$2,00. O novo piso, agora, ninguém sabe. O preço do couro verde, em dólares, está em alta. É verdade que reagiu também em reais, mas por conta da valorização cambial a cotação, em dólares, subiu bem mais. Acompanhe na figura 1.
O couro verde é o principal componente de custo do curtume. E como o setor é eminentemente exportador, pois cerca de 80% da produção nacional é negociada no mercado internacional, é justamente a cotação em dólares que preocupa. Como já discutido neste espaço, os curtumes têm conseguido repassar para os compradores esse aumento de custo. No mercado de couro, assim como no de carne bovina, o Brasil é formador, e não tomador de preços, graças à sua representatividade. No entanto, os curtumes têm se questionado até que ponto o mercado internacional suportará novos reajustes. Alguns agentes do setor achavam que o limite já havia sido atingido em fevereiro. Mas como disse um de nossos colaboradores: “ainda bem que queimamos a língua”. No entanto, ainda de acordo com os curtumes, agora existem sinais claros de saturação em termos de aumento de preços. Tanto é que os preços médios do couro exportado pela Austrália, por exemplo, já teriam recuado entre US$1,00 e US$2,00 por peça ao longo das últimas semanas. Já a cotação do couro norte-americano, que varia em função de várias classificações, teria recuado entre US$2,00 e US$5,00 por peça. Dentre os principais fornecedores, apenas o Brasil ainda estaria sustentando os preços. Diante desse cenário – dólar em queda e preços internacionais, na melhor das hipóteses, estáveis – a tendência é que os curtumes aumentem as pressões de baixa em torno dos preços do couro verde. Mas como as ofertas se encontram bastante ajustadas, fica difícil encontrar espaço para recuos. E a entressafra do boi gordo nem começou. Por conta disso, já tem curtume, principalmente no Rio Grande do Sul, estudando reduzir significativamente a produção.