Mais uma semana sem alterações de preços para o couro verde.
Os curtumes apontam que o mercado está relativamente frio, mas não existe espaço para recuos nos preços da matéria-prima. Os frigoríficos resistem, principalmente agora que o mercado do boi gordo voltou a firmar.
Aliás, a safra está chegando ao fim e, em praticamente momento algum, os frigoríficos conseguiram avançar as escalas para mais de 7 dias úteis. Pelo contrário, elas chegaram, várias vezes, a atender menos de 4 dias úteis.
Se a safra foi assim, a entressafra tende a ser ainda pior em termos de oferta. Ou seja, não convém esperar por uma alta disponibilidade de gado e, consequentemente, de couro ao longo do segundo semestre.
Tal cenário tende a fazer com que o mercado do couro verde se mantenha firme. Resta saber como se comportará a demanda (principalmente internacional) e o câmbio (que poderia, ao menos, parar de cair) para ver qual o patamar que as cotações poderão alcançar.
TAXAÇÕES
Recentemente o governo brasileiro adotou duas medidas, através da via tributária, a fim de auxiliar a sustentabilidade dos negócios de empresas da cadeia coureiro-calçadista que trabalham com produtos de maior valor agregado.
A primeira foi a retomada da taxação de 9% das exportações de couro wet blue. Vale lembrar que ela havia entrado num processo gradual de redução, com o objetivo de chegar a zero em 2008.
Depois, o governo decidiu aumentar para 35% a tarifa de importação de vestuários e calçados. Ela estava em 20%.
Independentemente da coerência ou não das medidas, o fato é que elas tendem a alcançar resultados relativamente modestos em termos práticos.
Analisemos o caso dos calçados. Diante da valorização de mais de 40% do real frente ao dólar ao longo dos últimos três anos, e de custos de produção até 50% mais baixos alcançados, por exemplo, pela China, os importados tendem a se manter competitivos internamente.
Com relação ao wet blue, ele é taxado para sair do Brasil, mas não para entrar nos países importadores. Já os couros semi-acabado e acabado, por exemplo, são taxados em 6,5% para entrar na União Européia e em 18% para entrar na China.
Em outras palavras, a taxação de venda do wet blue ou é apenas um pouco menor ou chega a ser a metade da alíquota de compra incidente sobre seus “concorrentes” de maior valor agregado. Uma coisa anula a outra.
A sustentabilidade da cadeia coureiro-calçadista depende de políticas que ataquem questões estruturais como o câmbio excessivamente valorizado, a baixa qualidade da matéria-prima, os elevados custos logísticos, a legislação trabalhista atrasada, os modelos de gestão deficientes adotados por boa parte das empresas do setor, a dificuldade de obtenção de crédito, e por aí vai.
As taxações podem ser consideradas medidas “apaga-fogo”, com baixíssimos resultados quando se pensa no longo prazo.