Scot Consultoria
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Curtumes resistem à pressão de alta

por Fabiano Tito Rosa
15/03/2007 - 10:12
Preços ainda estáveis para o couro verde, mas a pressão de alta por parte dos frigoríficos é forte. Os curtumes resistem, pois os clientes, com destaque para a Itália (maior mercado para o couro brasileiro, principalmente wet blue), sinalizam que não irão aceitar reajustes. O Brasil tem conseguido, há algum tempo, impor correções positivas para o preço do couro exportado. Por ser o maior produtor e, consequentemente, maior fornecedor mundial de couro, goza de algumas facilidades para fazer valer “suas vontades”. Acompanhe, na figura 1, a comparação da evolução da cotação média do mix de couro exportado pelo Brasil, em relação ao preço médio do couro verde. Ambos em dólares. O aumento dos preços internacionais reduziu, para os curtumes, os impactos negativos da valorização do couro verde. Valorização esta que, por sua vez, teve como único vetor a desvalorização da moeda norte-americana. Afinal, entre janeiro de 2005 e janeiro de 2007, a cotação do couro verde, em reais, caiu 12%, ao passo que, em dólares, houve aumento de 11%. O aumento dos preços internacionais permitiu que, em 2006, o Brasil exportasse US$1,88 bilhão em couros, crescimento de 34% em relação a 2005, apesar do crescimento em volume ter sido menor: 24,5%. Mas agora, mediante a resistência dos compradores a novas alterações de preços, à queda do dólar, à oferta relativamente reduzida de matéria-prima e à pressão de alta por parte dos frigoríficos, os curtumes se esforçam sobremaneira para preservar as margens. Vale destacar que a relação de forças entre frigoríficos e curtumes têm, nos últimos anos, passado a pender cada vez mais para o lado dos primeiros, em função da concentração de forças inerente à expansão das maiores empresas do setor. Acredita-se que existam, no Brasil, cerca de 1,66 mil frigoríficos sob algum tipo de inspeção, seja municipal, estadual ou federal. Mas a Scot Consultoria estima que apenas os seis maiores grupos, que respondem por cerca de 2% das plantas frigoríficas do País, concentrem mais de 22% da produção de peles e couro verde.