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Sebo sobe e desce sem acompanhar o boi e o couro

por Fabiano Tito Rosa
02/03/2007 - 10:56
A estabilidade nas cotações do couro persiste. São quase cinco meses de preços estáveis para o setor coureiro de São Paulo e Goiás, e quase oito no Rio Grande do Sul. A oferta restrita de gado terminado para abate nessas regiões sustenta os preços, mas o dólar fraco segue como um fantasma à espreita. Neste mês está programada uma das maiores feiras de calçados do mundo, na Alemanha, e o Brasil estará presente. Resta esperar por boas novas. COTAÇÃO DO SEBO NÃO ACOMPANHA O COURO E O BOI A cotação do sebo bovino não está atrelada nem ao couro e nem ao boi gordo. Veja na figura 1. A demanda por sebo, entre outras razões, responde às vendas de produtos de higiene e limpeza (que não sofrem influência dos mercados de boi, carne e couro). Também é preciso considerar a influência das importações, já que o Brasil, em períodos de “escassez”, traz sebo de países vizinhos, parceiros do Mercosul. Veja na figura que entre 2001 e 2002 as cotações do sebo bovino aumentaram significativamente. Esse comportamento aconteceu graças à oferta relativamente comedida e à valorização do real, que teve impacto sobre os preços do sebo importado e sobre as cotações dos produtos de higiene e limpeza. Mercado aquecido. A partir de 2003 o câmbio começou a recuar. Ao mesmo tempo, a oferta de sebo, no embalo do avanço do descarte de matrizes, passou a aumentar. Os preços domésticos, portanto, recuaram significativamente. Mas assistimos agora mais uma “onda” de valorização do sebo, no embalo do crescimento do mercado de biocombustíveis. Veja o destaque na figura (círculo). O preço, mais baixo que o de óleos vegetais, e a disponibilidade relativamente elevada do produto (o Brasil tem potencial para produzir entre 500 e 600 mil toneladas de sebo) fazem com que o sebo bovino seja considerado uma das melhores matérias-primas para a produção de biodiesel. Destaca-se, ainda, que vários frigoríficos têm investido em usinas de biodiesel. E nesse caso, logicamente, o sebo tem a preferência. Por conta disso, entre fevereiro de 2006 e fevereiro de 2007 a cotação do sebo bovino, em reais nominais, reagiu 57% em São Paulo e Goiás e 43% no Rio Grande do Sul. No mesmo período, em São Paulo, o aumento registrado para o boi gordo foi de 7%. A valorização do couro verde ficou em apenas 0,2%.