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Dólar pressiona, mas oferta comedida não deixa cotação do couro cair

por Fabiano Tito Rosa
22/02/2007 - 18:18
A paradeira do carnaval influenciou também o mercado do couro verde. Poucos negócios foram realizados ao longo dos últimos dias. No entanto, muitos frigoríficos pararam ou trabalharam abaixo da capacidade normal de abate. Portanto, para os próximos dias, espera-se por uma oferta bastante comedida de couro verde, o que contribui para a firmeza do mercado. Os preços, adotados como referência, não se alteraram. Porém, alguns compradores que insistiam em trabalhar com R$1,40/kg em Goiás e São Paulo, e R$1,70/kg no Rio Grande do Sul, reajustaram as ofertas de compra para o mesmo nível da maioria (veja na tabela ao lado). O dólar continua sendo o principal fator de preocupação dos curtumes. Os analistas de câmbio não descartam ainda a possibilidade dele vir a R$2,00 por US$1,00, já que o governo não sinaliza nenhuma alteração na política econômica/cambial. Em outras palavras, para conter a valorização do real, o Banco Central continuará contando apenas com a compra de moeda estrangeira e com a queda gradual (bota gradual nisso) das taxas de juros. Como os preços das principais commodities exportadas pelo Brasil seguem em alta no mercado internacional, e o Fed, Banco Central norte-americano, sinaliza que por lá os juros não devem subir mais (podem até voltar a cair mais adiante), é possível que as ações do BC brasileiro para conter a valorização cambial não sejam suficientes. De toda forma, alguns economistas apontam que, não fossem as medidas adotadas pelo BC, o câmbio no Brasil já estaria em R$1,80 ou R$1,90 por US$1,00. Nem é bom pensar. Apesar do câmbio, a oferta comedida faz com que os curtumes não encontrem espaço para derrubar as cotações do couro verde. A tendência é de mercado firme. EXPORTAÇÕES: EXPECTATIVAS POSITIVAS Os curtumes estão otimistas com relação às exportações deste ano. De acordo com o Centro das Indústrias de Curtume do Brasil (CICB) o setor já havia adequado os custos ao câmbio de R$2,15 por US$1,00. Com a nova baixa, vão ter que repassar a perda de margem, o que pode levar uns seis meses. Contudo, diante da demanda aquecida por couro em nível mundial, o que, de certo modo, facilita o reajuste de preços, a expectativa é de exportações recordes em 2007. O Brasil, de acordo com o CICB, já exporta cerca de 70% do couro produzido no País. E diante da crise que acomete a indústria calçadista nacional, a tendência é que a participação das exportações siga aumentando. O CICB destaca ainda que, nos próximos 5 anos, a cadeia coureiro-calçadista tem potencial para exportar US$10 bilhões e gerar 650 mil novos empregos.