Os preços do couro verde estão estáveis, em função da oferta relativamente reduzida.
A valorização do real, no entanto, incomoda os curtumes. Os compradores apontam que, se houvesse algum espaço, por menor que fosse, os preços cairiam.
PRESSÃO DO DÓLAR
Mais de 60% da produção nacional de couro é negociada no mercado internacional. Essa constatação, por si só, já indica que o comportamento da taxa de câmbio exerce forte influência sobre os preços domésticos do couro verde.
Um estudo, conduzido pela Scot Consultoria, serviu para validar essa afirmação. Entre abril de 2002 e fevereiro de 2007, a correlação entre as cotações do dólar comercial e do couro verde alcançou 0,862.
Correlações a partir de 0,7 são consideradas altas. Isso significa que uma das variáveis tende a influenciar de forma significativa o comportamento da outra. No caso, o câmbio interfere no preço do couro.
A figura 1 ilustra o que foi discutido. Veja que as curvas de preços seguem padrões de variação quase idênticos.
Os “descolamentos” ocorrem em situações de forte alteração na relação oferta/demanda. Aí a influência do dólar diminui, pois quem manda mesmo é a lei da oferta e da procura.
Explica-se, assim, a preocupação dos curtumes. O dólar tende a se manter em baixa, mas a oferta ajustada de couro dificulta a imposição de recuos sobre os preços pagos aos frigoríficos/abatedouros.
E por que o câmbio pode cair mais? Porque o Brasil deve continuar atraindo dólares.
Primeiro, porque os preços de commodities no mercado internacional estão em alta, e o Brasil é um grande exportador de commodities.
Segundo, porque o ritmo de queda da taxa Selic diminuiu, ao mesmo tempo em que os juros nos Estados Unidos devem parar de subir. Dessa forma, aplicar em papéis do Tesouro Brasileiro, que pagam a maior taxa de juros do mundo, segue como uma excelente opção de investimento.
Analistas de câmbio apontam que, em curto prazo, a cotação da moeda norte-americana deve vir para R$2,00.