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Ameaça norte-americana

por Fabiano Tito Rosa
16/11/2006 - 20:00
  • Não foram registradas alterações para os preços do couro verde ao longo da última semana. A estabilidade já dura pouco mais de 30 dias no Brasil Central e três meses no Rio Grande do Sul.
  • As ofertas vinham aumentando nas últimas semanas, graças ao avanço das escalas de abate dos frigoríficos.
  • Na outra ponta, a demanda se mostrava estagnada. No mercado interno, as encomendas para atendimento do comércio de fim de ano já haviam sido atendidas.
  • Por fim, o dólar permaneceu baixo, sem esboçar qualquer reação. Tal cenário levou à retomada das pressões baixistas sobre os preços do couro verde em algumas regiões.
  • Porém, a resistência dos frigoríficos e a mudança do quadro de ofertas, que registraram uma leve retração nos últimos dias (veja mais na página 1), voltaram a equilibrar o mercado.
  • Portanto, para o curto prazo, mantém-se a tendência de preços estáveis. AMEAÇA NORTE-AMERICANA
  • Os Estados Unidos ameaçam retirar o Brasil do Sistema Geral de Preferências (SGP). Esse é o programa norte-americano de isenção de tarifas de importação, que beneficia uma série de produtos, de várias nações.
  • O setor coureiro brasileiro está preocupado, sobretudo as indústrias do Rio Grande do Sul. Os Estados Unidos são o segundo maior cliente gaúcho. Respondem hoje por quase 15% dos embarques de couro do Estado, atrás apenas de Hong Kong.
  • Atualmente os curtumes brasileiros contam com tarifa zero para enviar couro para os Estados Unidos. Recentemente uma missão da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) esteve nos Estados Unidos e, dentre outros assuntos, discutiu a questão da necessidade de ausência de tarifa para o couro brasileiro. Mediante o real supervalorizado, a cobrança de tarifa castigaria sobremaneira a competitividade do produto brasileiro.
  • Vale ressaltar que a vitória dos democratas nas eleições legislativas dos Estados Unidos alimenta ainda mais as preocupações brasileiras, já que, historicamente, eles são mais favoráveis a medidas protecionistas do que os republicanos, que até então dominavam o congresso e o senado.
  • De janeiro a setembro deste ano as empresas do Rio Grande do Sul exportaram US$55 milhões em couro para os Estados Unidos, uma leve retração de 3,5% em relação aos US$57 milhões do mesmo período de 2005. No ano passado as exportações de couro do Rio Grande do Sul alcançaram, ao todo, US$317 milhões.
  • O mercado norte-americano é considerado estratégico, já que trabalha com valores elevados e adquire, principalmente, produtos de maior valor agregado.
  • Dados compilados pela revista Courobusiness dão conta de que, de janeiro a agosto deste ano, os Estados Unidos responderam por 3,5% das exportações brasileiras de couro, em volume. Mas alcançaram quase 11,8% de representatividade em termos de faturamento.