Scot Consultoria
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Considerações sobre produção e exportação

por Fabiano Tito Rosa
24/02/2005 - 15:00
  • Não foram registradas alterações nos preços do couro verde ao longo da última semana.
  • Apesar da valorização do real, que incomoda os curtumes, uma provável retração das ofertas, diante do achatamento das escalas de abate dos frigoríficos, pode servir para sustentar as cotações.
    PRODUÇÃO
  • Estima-se que em 2004 o Brasil tenha produzido algo entre 39 e 40 milhões de couros. Em relação a 2003, cuja produção foi de 36 milhões de unidades, tem-se um aumento de 10%.
  • Nos últimos 10 anos a produção cresceu cerca de 50%. Em 1994 foram colocadas no mercado 26 milhões de unidades.
  • Tal incremento foi possível em função do crescimento do rebanho bovino – 24% no mesmo período – e da melhoria da taxa de desfrute, que hoje beira os 21%.
  • Taxa de desfrute é a porcentagem de animais abatidos em relação ao rebanho total. Ou seja, de 195,55 milhões de cabeças bovinas no país, o Brasil manda para o gancho, ao ano, cerca de 41 milhões (abates fiscalizados e clandestinos).
  • A participação da produção brasileira de couro em relação à produção mundial saltou de 8,7% em 1994 para algo próximo de 12% no ano passado, crescimento de quase 40%.
  • Isso porque o rebanho bovino mundial, no mesmo período, aumentou apenas 1%. Com exceção de alguns países como Índia e China, em nenhum outro ponto do mundo a pecuária apresentou um crescimento tão significativo quanto no Brasil.
  • É interessante observar que em 10 anos a taxa média de crescimento da produção brasileira de couro foi de 5%. Mas de 2003 para 2004 foi registrado o dobro. A explicação vem justamente do aumento da taxa de desfrute.
  • Com base em números preliminares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é possível estimar que em 2004 o Brasil abateu aproximadamente 35% mais fêmeas que em 2003. O crescimento do abate de bois foi de 9%.
  • O ciclo de baixa dos preços de bezerros e o avanço da agricultura sobre áreas de pastagens promoveram, nos últimos anos, o abate de matrizes, que sustentou o aumento do desfrute.
  • Para os próximos anos, contando com a virada do ciclo pecuário (recuperação dos preços de bezerros), o abate de matrizes tende a recuar. As produções de carne e couro devem registrar crescimentos mais comedidos.
    EXPORTAÇÃO
  • Com a produção crescendo em ritmo forte, os curtumes brasileiros passaram a buscar cada vez mais mercados no exterior. Tal processo ganhou força nos últimos dois anos, diante da desvalorização do real.
  • Em 1994 o Brasil exportou cerca de 6,8 milhões de couros, ou seja, 26% da produção nacional. No ano passado os embarques totalizaram 26,4 milhões de unidades, ou 67% do total aqui produzido.
  • Foi em 2001 que o couro passou a ser considerado definitivamente um produto de exportação, quando 50,5% da produção foi negociada no mercado internacional.
  • A participação das exportações deve aumentar ainda mais este ano. As estimativas apontam que as vendas internacionais devem crescer, em volume, cerca de 10% ou 15%. Já a produção, conforme exposto anteriormente, não deve registrar um incremento dessa magnitude.
  • Fontes consultadas: FAO, AICSul e Scot Consultoria