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Mercado firme

por Leandro Bovo
23/12/2008 - 13:01
O mercado físico de boi gordo trabalha em ambiente bastante firme neste final de ano. Depois de ter chegado ao mínimo recente de R$78,70 à vista no dia 16/12, o índice Esalq apresentou alta após alta até chegar nos atuais R$80,23/@ à vista (em 22/12). Essa força do mercado físico, baseada no apetite de compra dos frigoríficos de menor porte (que ainda não fecharam as escalas do ano) e na escassez de boi gordo, aliado ao pouco interesse de venda, nos dá o tom para a recuperação dos preços neste final de ano. Na esteira da força do mercado físico, o mercado futuro também opera em ambiente firme. O contrato de janeiro está se recuperando da mínima recente de R$71,50/@ e no fechamento desta edição alcançava R$80,85/@ - a máxima recente. Ou seja, o mercado precifica que no final de janeiro os preços do mercado físico serão praticamente os mesmos dos praticados agora no final de dezembro. MERCADO DA CARNE As exportações em dezembro estão em patamares inferiores aos de novembro. Porém o mercado interno, com a demanda aquecida devido aos festejos de final de ano, segue muito forte. Especialmente os cortes do traseiro, que devido ao seu maior valor agregado conseguem contrabalancear a relativa frouxidão dos cortes de dianteiro e ponta de agulha. A questão que fica no ar quando se pensa nos preços do boi gordo para janeiro é se o atacado terá força para conseguir sustentar os atuais preços, gerando bom poder de compra para os frigoríficos. Se tivermos a história como guia, a tendência é de recuo dos preços no atacado, já que janeiro é um mês de férias escolares. As vendas no setor de food service muito boas em dezembro diminuem sensivelmente e a população tem seu poder aquisitivo comprometido devido ao pagamento de impostos, excessos de final de ano, etc. Além disso, apesar de um dólar mais favorável, a expectativa ainda não é de bons volumes de exportação em janeiro. OFERTA DE BOI Por outro lado, em janeiro não teremos a pressão concentrada de vendas dos confinamentos e a relevância dos animais de pasto será maior. Nesse cenário, com abundância de pastagens e relações de troca boi x bezerro ainda desfavoráveis, há maior facilidade de retenção de animais em engorda, o que contribuiria para a firmeza de preços em janeiro. Dessa forma, se em dezembro a barreira psicológica dos R$80,00/@ a prazo em São Paulo foi importante, em janeiro ela também poderá funcionar bem. Enfim, há argumentos suficientes para justificar movimentos totalmente diferentes no mercado físico para janeiro. Nesse cenário ainda dúbio, operações de spread e/ou compra de opções podem ser uma alternativa interessante para se posicionar no mercado sem ter uma exposição unidirecional muito grande.