Faz mais de duas semanas que o contrato de outubro se encontra “travado” entre os valores de R$89,50/@ e R$92,00/@. Numa série de movimentos de sobe e desce sem assumir uma tendência e, dessa forma, sem produzir nenhuma distorção onde haja alguma grande oportunidade para tanto os
hedgers como especuladores.
Nessa série de movimentos o volume de contratos negociados diminuiu bastante e aumentou muito a porcentagem de contratos abertos e liquidados no mesmo dia, ou seja, o chamado “day trade” que é um movimento tipicamente de especulação.
Nos últimos dias, o porcentual de “day trade” foi maior do que 50%, ou seja, de todos os contratos negociados, mais da metade foram liquidados também no mesmo dia.
O ritmo do contrato de outubro sem dúvida foi ditado pela ausência de notícias com impacto significativo no mercado e pelo índice Esalq, que apesar de ter tido certa oscilação no período, não definiu nenhuma tendência relevante, apenas comprovou o que todo o mercado já observava. Ou seja, está muito difícil comprar boi gordo com consistência abaixo de R$90,00/@ a prazo em São Paulo.
Toda essa “paradeira” no contrato de outubro produziu um fato interessante: as médias móveis de 10, 30 e 60 dias nunca estiveram tão próximas, comprovando numericamente o que todo mundo observa na prática: o mercado está de lado. Observe a figura 1.

Repare como as médias móveis de 10 dias (linha rosa), 30 dias (linha marrom) e 60 dias (linha azul), somente estiveram próximas assim no início das negociações do contrato, quando este tinha pouquíssima liquidez e nem pode ser levado em consideração. A convergência clara do outubro e de suas médias é para a faixa próxima aos R$91,00, pouco acima, portanto, do que está o mercado atualmente.
Enquanto isso, o contrato de novembro se distancia cada vez mais dos preços de setembro e outubro. Logicamente oscilando na mesma direção, porém sempre subindo mais que outubro e caindo menos, o que faz a diferença entre os dois contratos ir aumentando aos poucos, evidenciando a expectativa do mercado de que a diminuição maior na oferta de bois será sentida em novembro. Situação próxima da que aconteceu no ano passado.
Dessa forma o mercado vai caminhando em compasso de espera, enquanto não houver notícias novas por parte da oferta ou da demanda, a tendência é que o marasmo continue, sem muita oscilação. Portanto, sem grandes oportunidades para os produtores e frigoríficos que ainda não fizeram sua proteção atuarem. É esperar para ver, tendo a história dos mercados futuros como referência, esses períodos de calmaria tendem a durar pouco tempo... o atual do boi já dura duas semanas...