Já abordamos nesse espaço a operação chamada de
spread (Boi & Companhia edição 689). Essa operação consiste em efetuar concomitantemente a compra de um contrato e a venda de outro para meses diferentes. Ela é muito usada por confinadores, para garantir um preço de compra do boi magro e o preço de venda do boi gordo. Geralmente é feita através da compra do contrato de maio e venda do contrato de outubro. Se o diferencial de preços entre os dois contratos for de tal ordem que cubra os custos de engorda e permita um lucro que o produtor considere interessante, então a operação faz sentido.
Dessa forma, podemos entender por
spread a diferença entre dois vencimentos diferentes. Vamos analisar, na figura ao lado, essas diferenças entre os contratos de julho, agosto e setembro contra o contrato de outubro.
Desconsiderando os períodos iniciais desses
spreads, onde ainda não há uma grande liquidez dos dois contratos e por conta disso os preços sofrem distorções mais facilmente, podemos ver que esses
spreads tendem a flutuar ao redor de uma determinada diferença. Essa diferença se mantém de certa forma “constante” devido à atuação dos especuladores. Se os especuladores acham que essa diferença está grande demais, eles compram o contrato de vencimento mais curto e vendem o contrato de vencimento mais longo. Se eles acreditam que essa diferença está pequena demais, fazem o contrário, ou seja, vendem o mais curto e compram o mais longo.
Como pode ser observado na figura, nas últimas semanas as diferenças entre o outubro e os contratos mais curtos têm diminuído bastante. No jargão do mercado diz-se que os spreads estão fechando. Ou seja, proporcionalmente os contratos mais curtos têm subido mais do que o contrato de outubro. Isso ocorre basicamente por conta de um volume de vendas maior no contrato outubro (como tem mais vendas, a “força” da alta diminui).
Mesmo considerando que grande parte dessas vendas no outubro podem não ser obrigatoriamente vendas para
hedge, esse grande volume tem relação com a crescente atuação de pecuaristas e frigoríficos na bolsa. Diante disso, a decisão de ficar com animais em engorda nessa entressafra sem ter algum tipo de proteção de preços (venda a futuro, opções de venda ou contratos a termo) fica cada vez mais arriscada.
Forte abraço e até a semana que vem.