Nos últimos dois anos o mercado futuro de boi gordo aumentou enormemente em quantidade de contratos negociados, com um número também cada vez maior de participantes. Esse crescimento, aliado à propaganda “boca a boca” e a uma grande divulgação por parte dos meios de comunicação, fez com que as operações com contratos futuros ganhassem grande destaque e chegassem ao conhecimento de uma parcela grande de produtores rurais. Não seria exagero dizer que uma grande parte (para não dizer a maioria) dos pecuaristas, pelo menos já ouviu falar do “tal” mercado futuro de boi gordo.
Essa grande divulgação pode gerar uma falsa impressão de que o mercado futuro seja uma solução para todos os problemas da pecuária, o que não é verdade. Uma decisão precipitada do pecuarista pela venda no mercado futuro pode gerar resultados desagradáveis. Para evitar isso, é necessário, em vez de que seguir modismos, preencher alguns requisitos.
PRÉ-REQUISITOS PARA USAR O MERCADO FUTURO DE BOI GORDO
Primeiro: Sentir a necessidade real de ter uma proteção de preços. Se essa necessidade não existe, então não faz sentido a venda no mercado futuro.
Segundo: Ter os custos de produção muito bem definidos. Sem o custo de produção conhecido, é impossível saber se o preço vendido estará garantindo lucro ou não.
Terceiro: Estar devidamente capitalizado para a margem de garantia exigida e para possíveis ajustes. É impossível definir de antemão o montante necessário para eventuais ajustes, uma vez que eles vão depender do comportamento futuro dos preços. O ideal é associar à posição vendida um fundo de renda fixa com liquidez diária, que possa ser acessado em caso de ajuste negativo.
Quarto: Ter definido a rentabilidade que quer ter na operação de engorda. Mais eficiente do que querer acertar o momento exato da virada de preços (ou seja, vender na cotação máxima), é definir a rentabilidade que se quer obter na sua operação e, a partir daí, efetuar a venda caso o mercado futuro proporcione um preço que remunere adequadamente seu capital investido em bois.
OUTRAS CONSIDERAÇÕES
Atendendo a esses pré-requisitos, o pecuarista deve procurar uma corretora idônea, de preferência com experiência em mercados futuros agropecuários e com um corretor que conheça bem a realidade da pecuária de corte, para poder discutir qual a melhor estratégia para gerenciar o risco de preço.
As principais formas de gerenciamento de risco de preços disponíveis hoje são a venda no mercado futuro, as opções de venda e a venda a termo, diretamente ao frigorífico.
Cada alternativa tem suas vantagens e desvantagens, e a correta opção pelo uso de uma ou de uma combinação dessas ferramentas é decisiva para um bom gerenciamento do risco de preços.
Forte abraço e até a semana que vem!