Após conhecermos o uso da CPR-Índice como forma de hedge da produção, vamos abordar seu uso como uma possibilidade de maximização da atividade de engorda.
Tomemos como exemplo um pecuarista com um rebanho de 2 mil animais em engorda e com abate previsto para outubro. Considerando que ele tenha mais disponibilidade de pastagem própria ou possibilidade de arrendamento, ele pode até dobrar sua produção pela emissão de uma CPR Índice. Vamos à operação:
EXEMPLO
Dependendo dos preços do contrato futuro de outubro (época de abate dos 2 mil bois próprios), o produtor pode emitir uma CPR Índice para outubro do número total de arrobas que serão abatidas e com o dinheiro obtido poderia comprar outros dois mil animais para engorda. A emissão da CPR funcionou na prática como uma venda com recebimento antecipado dos bois já existentes e a compra de mais 2 mil bois deixará o pecuarista exposto ao mesmo risco de preços de antes (apenas 2 mil bois, já que o risco dos outros 2 mil foi zerado pela emissão da CPR). Dessa forma ele conseguiu dobrar sua produção, maximizando seus recursos disponíveis e permanecendo exposto ao mesmo risco de antes.
Uma outra operação que pode ser interessante seria a emissão de uma CPR mais longa, de, por exemplo 14 meses, para poder aproveitar épocas de preços melhores de reposição, quando possivelmente o pecuarista está descapitalizado para aproveitá-las.
Historicamente, no início da entressafra (junho/julho) ocorre um aumento da pressão de venda de animais devido à redução da capacidade de suporte das pastagens. Para aproveitar essa oportunidade, o produtor pode emitir uma CPR para, por exemplo, outubro do ano seguinte, recebendo o dinheiro e efetuando a compra dos garrotes para um processo de engorda mais lento, aproveitando-se do ganho de peso e do custo bastante inferior da engorda a pasto durante a próxima estação chuvosa e posterior terminação em confinamento até o abate em outubro.
É importante destacar que essa CPR deve ser acompanhada de um aval bancário, para maior facilidade de comercialização com instituições financeiras, o que gera um custo que tem que ser considerado na operação.
Outro fator importante é o abate dos bois numa data o mais próximo possível do vencimento da CPR. Além disso, essas operações estruturadas envolvem a monitoração constante do mercado físico e futuro, dessa forma, o aconselhamento de um profissional competente é fundamental na operação.
Um forte abraço e até a semana que vem!