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Boi como renda fixa?

por Leandro Bovo
07/12/2006 - 19:26
  • Uma nova ferramenta vem ganhando espaço na pecuária, sendo cada vez mais utilizada pelos produtores. Essa ferramenta é o chamado “boitel”.
  • O aumento da produtividade da fazenda passa por várias etapas. Mas, com a crescente incorporação de tecnologias, em um determinado momento o sistema não tem mais espaço para crescimento se não usar o confinamento como ferramenta estratégica na engorda dos animais. Muitas vezes por questões de espaço, tamanho da operação ou eficiência produtiva, o confinamento não é realizado na própria fazenda, e vale a pena tercerizá-lo para os boitéis.
  • A estratégia comum de atuação do boitel é a cobrança de diárias, onde o pecuarista leva seus bois e o boitel cobra por cada dia de engorda. Porém, algumas empresas trabalham com uma segunda forma de cobrança, que é a parceria na engorda.
  • Nesse outro modelo, o pecuarista leva seus bois, que são pesados ao entrar no confinamento. Sobre esse peso inicial é que o pecuarista irá receber ao final do período de confinamento. O peso engordado será todo do proprietário do boitel.
  • A vantagem para o pecuarista é que ele consegue “aliviar” os pastos da fazenda e poderá “segurar” a venda do seu “estoque” de arrobas para a entressafra, onde normalmente os preços são melhores, sem gastar nada com isso, já que nessa modalidade de negociação normalmente não há cobrança de diária.
  • Se para o pecuarista esse tipo de confinamento tem uma importância estratégica, para um pecuarista-investidor ele pode representar um ótimo investimento.
  • A estratégia de utilização do serviço de boitel como alternativa de investimento consiste na compra estratégica de bois na safra e imediata venda de contratos futuros na BM&F, para o período de abate dos bois. Como invariavelmente os preços dos meses de entressafra na BM&F estão acima dos preços da safra, esse investimento funciona como uma espécie de renda fixa, com risco mínimo para o investidor. EXEMPLO
  • Imagine que um pecuarista, em junho de 2006, encontrou uma boiada de 1.000 animais de 12@ a venda pelo preço de R$50,00/@. Nessa época o contrato com vencimento em setembro estava sendo negociado a R$56,00/@. O investimento consiste em comprar os bois por R$50,00/@ e imediatamente efetuar a venda desse estoque de @ (12.000 @, ou 36 contratos) para setembro. Como o custo de engorda no boitel será zero, o risco de os animais não engordarem é assumido pelo dono do boitel e o risco de preço foi zerado na BM&F, esse investimento funciona como uma “renda fixa”, onde foi investido R$600 mil (12 mil @ x R$50,00) e será apurado R$672 mil (12 mil @ x R$56,00). Uma rentabilidade de 12% em 3 meses.
  • Os números do exemplo acima são reais, praticados no mercado de 2006. É óbvio que esse tipo de operação pode ter resultados até melhores se forem aproveitados momentos específicos e favoráveis do mercado. O acompanhamento do mercado físico e futuro, uma boa capitalização do pecuarista para suportar possíveis ajustes até o final da operação e uma boa assessoria no uso do mercado futuro são fundamentais. As oportunidades para se ganhar dinheiro na pecuária existem e são reais, cabe a nós aproveitá-las da melhor maneira possível.