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Scot Consultoria

Volatilidade na veia!


Quarta-feira, 3 de novembro de 2021 - 12h00

A novela China continua sem um final feliz à vista e, com isso, a pressão baixista das indústrias segue obtendo sucesso e trazendo os preços para patamares inimagináveis até para os mais pessimistas do mercado. Atualmente o boi gordo em São Paulo tem sido negociado ao redor dos R$260,00/@ à vista e a impossibilidade de reter os animais em engorda tem forçado muitos pecuaristas a “jogar a toalha” e entregar nos preços vigentes.


A situação é tão dramática que existem relatos até de pecuaristas “desconfinando” os animais, tirando bois gordos e prontos para abate do cocho e colocando no pasto na tentativa de ganhar tempo e esperar por uma reação nos preços. Essa espera, no entanto, já está chegando quase aos 60 dias e não existe nenhuma sinalização de quando a china poderá retomar as importações e nem mesmo do destino das carnes exportadas em setembro e que não foram aceitas pelo país asiático.


No dia 26/10 circulou no mercado a informação de que um container teria sido liberado pela China, o que desencadeou uma verdadeira corrida no mercado futuro puxando todos os vencimentos para cima, até mesmo o outubro, que já tinha 1/5 da média de liquidação contabilizada. O contrato de novembro de 2021 chegou na máxima a R$285,00/@, dez/21 a R$296,15/@ e jan/21 a R$301,00/@. Essa informação foi posteriormente negada pelo MAPA, o que, por sua vez, trouxe uma enorme pressão vendedora em toda curva futura, mas principalmente em nov/21, que devolveu toda a alta do dia anterior e renovou a mínima do contrato ao redor dos R$267,00/@, uma queda de R$18,00/@ em apenas dois dias.


Esses movimentos violentos e erráticos jogaram a volatilidade do mercado nas alturas, dificultando ou praticamente inviabilizando a compra de opções devido ao seu alto custo. Acompanhe na figura 1 a métrica da volatilidade do contrato de nov/21 explodindo desde o anúncio do embargo chinês.


Figura 1. Volatilidade histórica média anualizada de 30 períodos do BGIX21.



Fonte: Broadcast / Radar Investimentos


O encarecimento das opções dificulta ou inviabiliza a compra de seguros, porém, esse “excesso” de volatilidade abre janelas de oportunidades para fixações de preços num momento de extrema necessidade. Não adianta tapar o sol com a peneira, no curto prazo a indústria se encontra numa posição muito confortável, já que a estratégia de diminuir os abates para manter ou ampliar margens no mercado interno transfere todo o custo do carrego dos estoques ao pecuarista que tem gado no cocho e, enquanto esse estoque não for sensivelmente diminuído, a pressão baixista vai persistir.


Não é exagero dizer que essa é uma das maiores, senão a maior crise enfrentada pela pecuária brasileira, já que pegou a todos num momento de ótimas expectativas, investimentos em alta, custos de estoque e comida nas máximas históricas. Esse cenário, porém, voltará ao equilíbrio, uma vez que o jogo de forças entre oferta e demanda volte a se estabelecer, resta saber onde vai ser o fundo desse poço.



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