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Scot Consultoria

Rouba monte!


Quinta-feira, 17 de junho de 2021 - 14h40

O mercado de milho é tradicionalmente um mercado de altíssima volatilidade, com enormes oscilações ocorrendo em um curto espaço de tempo e muitas vezes desconectadas da realidade do mercado físico ou da oferta x demanda. O milho “importa” volatilidade de diversos outros fatores além da oferta e demanda doméstica, como Bolsa de Chicago, clima brasileiro, clima americano e dólar, apenas para citar os mais importantes.


Se normalmente o mercado já é muito volátil, o ano de 2021 teve essa situação exacerbada pelos baixíssimos estoques de passagem no Brasil e no mundo, que deixaram o mercado muito mais sensível a eventuais problemas de oferta, o que levou as cotações do mercado futuro de milho à patamares que a grande maioria dos participantes julgava serem impossíveis de serem atingidos. Ao analisar na figura 1 a evolução do milho no mercado físico e do contrato futuro de set/21 na B3 vemos a situação dramática que os consumidores do cereal tiveram que enfrentar.


Além dessa situação de estoques de passagem muito pequenos, essa mercadoria em sua maioria não estava nas mãos dos consumidores, mas sim na mão dos produtores, que estavam muito capitalizados pelas boas safras passadas e com pouca ou quase nenhuma necessidade de venda, podendo escolher qual momento e qual preço iriam vender o produto. Isso deixou os consumidores e os preços na dependência do fluxo de notícias do momento, transformando o mercado em um gigante “rouba-monte”, ou seja, quando o consumidor queria comprar, tinha que aceitar as pedidas dos vendedores, porém, quando o vendedor que vinha ao balcão, os consumidores imediatamente se retraiam derrubando as ofertas de compra e tentando dessa vez “roubar o monte” do vendedor.


Essa situação ficou bem evidente agora que a safrinha começou a ser colhida e o mercado voltou a ter alguma pressão vendedora, que estava praticamente desaparecida durante o ano todo. As ofertas de compra despencaram mais de R$10,00/saca e o milho paulista, que era negociado a próximo de R$100,00/saca há 15 dias, já caminha para R$90,00/saca e, mesmo assim, com grandes compradores ainda retraídos.


Nessa brincadeira de gente grande, agora é a vez do consumidor roubar o monte do produtor, porém, o balanço de oferta x demanda do milho ainda é extremamente apertado e delicado, com o produto que for colhido nessa safrinha tendo que abastecer o mercado até pelo menos março de 2022. A estratégia em um mercado como esse é ter disciplina para fazer o que precisa ser feito, ou seja, quando os preços chegarem no nível adequado ao orçamento de cada um, é melhor agir e aproveitar a oportunidade, para não ter seu “monte roubado” mais adiante.




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