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Quem é mais dependente: Brasil da China ou China do Brasil?


Quinta-feira, 1 de abril de 2021 - 14h40

A semana das commodities foi muito agitada, novamente com o mercado renovando suas máximas em todos os vencimentos futuros de boi e de milho. O gatilho para essa nova rodada de altas dessa vez foi o relatório do USDA que reviu para baixo os estoques americanos de milho e soja, além de mostrar uma intenção de plantio da safra 2021 abaixo do que o mercado previa. Essa leva de dados negativos levou o mercado americano a operar no limite de alta, tanto no milho, como na soja e nos seus derivados, farelo e óleo, numa reposta muito violenta e rara de acontecer.


No Brasil a resposta no mercado de milho foi imediata e apesar de não atingir o limite de alta do pregão, as altas foram bem consistentes, renovando as máximas de todos os vencimentos. Com o custo de alimentação subindo, o boi seguiu a mesma tendência, também renovando as máximas para todos os vencimentos, com maio/21 na máxima a R$311,90/@ e out/21 na máxima a R$327,00/@.


A situação mundial do mercado de commodities é extremamente delicada. As consequências da Peste Suína Africana na China são gigantescas e durarão por muitos anos. Primeiramente na demanda por proteína animal, com a China tendo que drenar produção do mundo inteiro para suprir o seu déficit. E, além disso, há o impacto no mercado de grãos, já que a migração da suinocultura chinesa de uma produção de fundo de quintal com os animais se alimentando de “lavagem” para uma produção mais tecnificada, onde os animais se alimentarão de ração, tem aumentado ainda mais a já grande demanda chinesa por grãos.


Não é novidade para ninguém a importância das exportações para a precificação do boi gordo no Brasil e nesse aspecto é desnecessário dizer a importância da China. Muitos se preocupam com a enorme concentração de nossa exportações para os chineses, que, somados a Hong Kong, têm absorvido ao redor de 60% de tudo que exportamos. O que pouca gente mostra é que a China também é muito dependente do Brasil, sobretudo na carne bovina. Acompanhe na figura 1 os últimos dados da procedência das importações de carne bovina chinesas atualizados até fev/21.



Reparem que o Brasil sozinho fornece 40% da carne bovina importada pela China, sendo que se somarmos Argentina e Uruguai, essa participação vai para 77%. Não é à toa que a arroba em dólares desses três países convergiu recentemente para o mesmo patamar dos US$55/@.


No curto prazo essa situação não deve ser revertida e a nossa “Chino dependência” nas exportações é a contrapartida da “Brasil dependência” das importações Chinesas. Esse é o momento para o Brasil se consolidar como o principal exportador mundial de alimentos. Resta saber apenas quanto as altas recentes de preços afetarão o apetite do nosso parceiro comercial.


Reparem que o Brasil sozinho fornece 40% da carne bovina importada pela China, sendo que se somarmos Argentina e Uruguai, essa participação vai para 77%.




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