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Scot Consultoria

Qual o limite do milho?


Quinta-feira, 4 de março de 2021 - 14h30

A pergunta do título do texto é a que mais tem sido feita por todo mundo que tem alguma relação comercial com o cereal e a resposta simples é direta é: ninguém sabe!


Desde o ano passado, a alta de preços tem sido uma constante e, tirando poucos e curtos períodos de queda, a dinâmica é praticamente a mesma desde setembro de 2020, ou seja: alta e mais alta. Quando se compara os preços do cereal com seu custo de produção, a margem embutida na cotação atual faz muitos pensarem que o movimento é absurdo e que será corrigido em breve, porém, essa não tem sido a realidade vivenciada no mercado.


Mais espantoso do que a cotação atual em si é o fato de que o mercado futuro passou a projetar alta até mesmo para depois da colheita da safra de verão, que, por menor que seja, representa a entrada de ao redor de 22 milhões de toneladas no mercado ao longo do segundo trimestre, o que, em teoria, aliviaria a escassez do produto até a entrada da safrinha. No entanto, isso não está acontecendo, conforme pode ser observado na figura 1, que mostra a evolução do índice Esalq à vista do milho, contra o contrato futuro de maio/21.


Mesmo o contrato de set/21, que tradicionalmente reflete a entrada da safrinha, tem diminuído sistematicamente seu deságio frente o mercado atual indicando que o alívio no preço tende a não ser muito grande, mesmo com uma área plantada recorde.


As razões para esse ceticismo do mercado são diversas, mas dentre elas destacam-se o atraso no plantio do milho safrinha nas regiões produtoras, com grande parcela sendo plantada fora da janela ideal, a constante alta do dólar que, associada à alta do milho no mercado internacional, aumenta nossa paridade de exportação e a enorme quantidade de milho já vendido antecipadamente, que deixa pouco produto a ser negociado após a colheita.


Para quem é usuário de milho a situação é delicada e aparentemente não será revertida no curto prazo, não bastasse isso, existe sempre o fantasma do não cumprimento de contratos de entrega feitos anteriormente a preços menores, que cada vez mais se torna a regra e não a exceção nas negociações a termo do milho. O jeito vai ser reforçar a reza para São Pedro colaborar com o clima e esperar para que o ditado que diz que “o remédio para preços altos são os preços altos” volte a valer em algum momento.




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