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Scot Consultoria

Inteiro ou castrado?


Terça-feira, 10 de maio de 2011 - 16h27

Esta é uma das perguntas mais repetidas hoje em dia. Muitos frigoríficos estão aplicando deságio para animais inteiros em relação aos castrados. Este ano foi registrada diferença de mais de R$6,00/@ em São Paulo. De cima para baixo O principal motivo apontado pelos frigoríficos para tal diferenciação é o preço recebido pela carne no atacado. Observe a figura 1. Nela estão os preços do boi casado (dianteiro + traseiro + ponta de agulha) nos últimos três meses. A diferença de preços existe no atacado, ou seja, é uma pressão de cima para baixo. Nos últimos três meses, a diferença média entre o boi casado de animais inteiros e castrados ficou em R$0,24/kg. Em porcentagem, a carcaça do castrado valeu 3,9% mais. Transformando a diferença média de quilos para arrobas, esta ficou em R$3,55/@. Apesar da diferença maior em alguns momentos e menor em outros, este valor coincide com o deságio médio aplicado pelos frigoríficos na compra do gado em SP, ao redor dos R$3,00/@. Mas alguns pontos merecem discussão. Na desossa, de que forma os cortes provenientes de animais inteiros e castrados são diferenciados? E no caso de animais inteiros com bom acabamento? Avanços e retrocessos Pode-se dizer que a cadeia produtiva da carne avançou nos últimos anos. A própria redução da taxa de informalidade é um exemplo disso. Segundo estimativas da Scot Consultoria, a produção informal de carne saiu de 45% em 2000 para 30% em 2010. Porém, a questão de animais inteiros e castrados revelou um dos pontos que devem ser mais discutidos, que é o da classificação de carcaças. Se já sabemos qual é o padrão desejável de uma carcaça, por que não defini-lo de acordo com critérios claros? Assim, tanto penalizações como bonificações seriam baseadas em condições pré-estabelecidas e conhecidas. Fazer distinção entre castrados e inteiros, incluindo deságios, puramente pela condição do animal, e não pela carcaça, parece um contrassenso, um retrocesso. Apesar das dificuldades para o estabelecimento de programas e critérios funcionais para a remuneração da carcaça serem nítidas no Brasil, sobretudo pela falta de padronização, alguma iniciativa deve ser tomada. Temos condições suficientes para tal, através do conhecimento acadêmico, de especialistas ou pela prática adquirida. Outra questão é a relação comercial entre os elos da cadeia. É compreensível que os frigoríficos repassem a pressão para o elo seguinte. Porém, é nítido que essa ação teve consequências negativas para a cadeia. Se considerarmos que a maioria do gado comercializado é inteiro, podemos ter uma ideia do que o episódio vem representando em termos econômicos, sem falar no desgaste do relacionamento. Outra questão fundamental é que a relação frigorífico-varejo também seja envolvida na discussão, para que mudanças não promovam desdobramentos negativos nos demais segmentos. Conclusão A atual situação veio para ficar? É difícil dizer, pois o mercado é dinâmico. O fato é que comunicação e informação são essenciais para o saudável funcionamento da cadeia. Inteiro ou castrado? Podemos superar este impasse sem esta pergunta.
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