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Scot Consultoria

Elasticidade-baboseira da demanda por carne bovina


Segunda-feira, 11 de maio de 2009 - 09h02

São vários os fatores que afetam a demanda por carne bovina. Os mais importantes são de ordem econômica, tais como a renda da população, o próprio preço da carne e o preço de proteínas concorrentes, por exemplo. Sobre esses fatores, vários estudos (culminando em modelos e equações matemáticas de toda ordem) foram desenvolvidos, com o objetivo de antecipar e/ou prever o comportamento do consumo. O que se tem por certo é que a demanda por carne bovina é elástica, em função de renda. Acontece que essa relação já foi mais acentuada. No Brasil, há alguns anos, a elasticidade-renda da demanda por carne bovina girava em torno de 1. Ou seja, a cada 10% de aumento de renda, o consumidor aumentava em 10% o consumo de carne bovina. Hoje, porém, ela está próxima de 0,4 a 0,5, ou seja, a cada 10% de aumento de renda, o brasileiro aumenta, em média, 5% o consumo de carne bovina. O perfil dos gastos das famílias mudou. As despesas com carne bovina concorrem com as contas de telefone celular e de TV a cabo, por exemplo. Além disso, os consumidores estão mais exigentes, deixando de se amolar apenas com o valor do bife na gôndola do supermercado. Por fim, a concorrência com a carne de frango está cada vez mais acirrada, seja em função de preço, seja em função do mix de produtos (mais opções de escolha), seja em função de qualidade de vida. Afinal, a carne branca tem um forte apelo relacionado à boa saúde. Neste artigo eu quero tratar das questões não-econômicas relacionadas ao consumo de carne bovina. Divagar um pouco sobre a importância da imagem e da informação. Na verdade, estou retomando o tema da edição 75 da Carta Boi: “Carne bovina: cuidado com as meias verdades”. O problema Há alguns meses uma pecuarista, cliente da Scot Consultoria, nos ligou indignada. Ela havia sido convidada para uma reunião de pais e mestres na escola de seu filho caçula e, quando lá chegou, foi surpreendida por uma apresentação sobre a importância de se reduzir o consumo de carne vermelha, a fim de reduzir os impactos sobre o meio ambiente. Acredito que eu até já tenha descrito essa passagem em algum outro artigo. De toda forma, alguém já parou para avaliar o resultado de campanhas difamatórias desse tipo? Eu sei da elasticidade-renda da demanda por carne bovina. Mas alguém parou para analisar a elasticidade-propaganda contra a carne? A elasticidade-artistas globais metendo o pau na picanha? Podemos nomear essa variável de elasticidade-baboseira da demanda por carne bovina. Há alguns anos, quando eu comecei a dar mais atenção a ações dessa natureza, me parecia que elas gozavam de um potencial de alcance bastante limitado. Hoje confesso que estou bem preocupado. O fato é que os fatores relacionados à renda e ao preço estão perdendo importância na decisão de compra do consumidor. Ainda são os mais relevantes, é verdade, mas a balança está pendendo cada vez mais para o lado da qualidade (de produto e de processo), da responsabilidade sócio-ambiental, do bem estar animal (e tem muita gente que defende que bem estar é sinônimo de interrupção dos abates) e de outros aspectos não econômicos. Por conta disso, ações como as da direção da escola da nossa cliente tendem, cada vez mais, a produzir resultados reais. E esses resultados não nos interessam nem um pouco. Aos números Façamos um exercício rápido. A população brasileira é de cerca de 190 milhões de habitantes, com consumo per capita anual médio estimado em 38 kg (estou arredondando os números). Imagine que, influenciados pela propaganda anti-carne, 2% dos brasileiros reduzam em 25% o consumo anual do produto. Isso significa uma retração de demanda da ordem de 36,10 mil toneladas equivalente carcaça (tec) ao ano, o equivalente a 146 mil cabeças de 16,5 arrobas. Parece pouca coisa, mas não é. Esse montante equivale, por exemplo, a mais ou menos o abate do Rio Grande do Norte. É o suficiente para abastecer um frigorífico de porte médio durante um ano inteiro. Será que do jeito que a coisa anda, um ajuste dessa magnitude (queda de 25% no consumo sobre apenas 2% da população brasileira) não é factível em médio prazo? Dê uma olhada na figura 1. Simulamos a queda esperada para o consumo total de carne bovina no Brasil, e o que isso representa em cabeças bovinas, em função da retração aleatória do consumo per capita, mantendo estável o alcance dessa retração sobre apenas 2% da nossa população. Veja que se 2% da população brasileira reduzisse entre 65% e 80% o consumo anual de carne bovina, a tão comemorada reabertura do mercado chileno serviria apenas para tapar esse buraco. Não acrescentaria nada. São várias as considerações que podemos fazer sobre este ensaio. Uma delas é o fato de que a melhoria de renda, atuando sobre a população mais pobre, poderia anular os impactos que a propaganda destrutiva teria sobre o consumo de carne bovina junto aos brasileiros mais abonados. De toda forma, não podemos esquecer que a elasticidade-renda da demanda por carne bovina está em queda (isso é fato!). E que a população mais pobre tem no frango uma opção de preço atraente, com imagem bem menos distorcida. Nas minhas andanças tenho visto muita indignação, por parte de pecuaristas, compradores de gado e profissionais do setor de insumos, em função das campanhas difamatórias que insistem em apontar a pecuária como a raiz de todos os problemas que hoje afligem a humanidade. Mas está na hora de partirmos da indignação para a ação. Na Scot Consultoria temos dedicado um bom tempo à elaboração de artigos e análises em “defesa” da imagem da nossa cadeia produtiva, respondendo a acusações e apresentando saídas para o desenvolvimento de uma pecuária sustentável, considerando questões econômicas e sócio-ambientais. Outro dia até arrisquei fazer uma apresentação sobre pecuária em um evento organizado por estudantes de biologia. Foi divertido. Convido os nossos leitores a colaborarem, através de sugestões de pauta, de idéias e (quando toparem com uma) do envio dessas matérias tendenciosas que adoram meter o pau na pecuária de corte, para que possamos rebatê-las. Vamos elevar o nível desse debate.
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