Apesar do volume recorde, a mudança nas categorias de couro exportado prejudicou o faturamento.
Autor: Marcelo Roschel. Equipe de Analistas: Alcides Torres · Fábio Takaku · Felipe Fabbri · Gustavo Duprat · Isabela Stevanatto · Juliana Pila · Lorenzo Cracco · Mariana Hauschild · Pedro Gonçalves · Rafaela Facchina · Roselena Sestari · Rodrigo de Mundo · Stéfany Souza. Jornalista Resp.: Talita Aparecida Peixoto Dias – MTB 0022766/MG. Diagramação: Bela Magrela.
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A exportação no primeiro semestre de 2026, em volume, foi recorde. O embarque foi de 324 mil toneladas de peles e couros. Esse volume foi 6,1% maior na comparação com o primeiro semestre de 2025, cujo desempenho fora de 305,3 mil toneladas, e 9,1% acima do primeiro semestre de 2024, cujo desempenho fora de 297,1 mil toneladas. Somente em junho, o embarque foi de 49,8 mil toneladas, alta de 23,8% ante junho de 2025 (40,2 mil toneladas), o que reforçou o desempenho do semestre.
O faturamento, contudo, seguiu na direção oposta. No primeiro semestre de 2026, a receita com a exportação foi de US$ 539,4 milhões, queda de 4,7% na comparação com o primeiro semestre de 2025 (US$ 565,8 milhões) e de 16,4% frente a 2024 (US$ 645,1 milhões). A cotação média caiu de US$ 1,85/kg em 2025 para US$ 1,66/kg em 2026.
O Brasil embarcou mais couro e arrecadou menos. A explicação está no tipo de couro que ganhou e no que perdeu participação — tema detalhado na próxima seção.
“A exportação de couro foi recorde no primeiro semestre de 2026, apesar disso, o faturamento caiu.”
O wet blue manteve a liderança, respondendo por 66,8% do volume embarcado no primeiro semestre, ante 70,8% em 2025, queda de 4,0 pontos percentuais. Em volume, permaneceu praticamente estável, passando de 216,2 para 216,6 mil toneladas, e respondeu por 37,5% do faturamento, com preço médio de US$ 0,93/kg no semestre.
O couro salgado foi o grande destaque de expansão. A participação subiu de 19,5% para 23,6% do volume, avanço de 4,1 pontos percentuais, com o embarque crescendo 28,3%, de 59,7 para 76,6 mil toneladas. Respondeu por 7,1% da receita, com preço médio de US$ 0,50/kg.
O couro acabado, de maior valor agregado, caiu de 7,7% para 6,4% do volume, queda de 1,3 ponto percentual, com o embarque caindo de 23,6 para 20,6 mil toneladas. Ainda assim, concentrou 43,9% do faturamento, a maior fatia da receita, gerando US$ 236,8 milhões, US$ 42,3 milhões a menos que em 2025. O preço médio foi de US$ 11,48/kg.
O crust respondeu por 2,1% do volume, alta de 0,3 ponto percentual, e por 11,3% do faturamento, negociado a US$ 9,11/kg.
As aparas subiram de 0,1% para 1,1% do volume, incremento de 1,0 ponto percentual, com preço médio de US$ 0,30/kg e participação marginal na receita, em 0,2%.
O couro acabado, que sozinho responde por quase metade da receita, perdeu volume e faturamento, enquanto o salgado, de menor valor por quilo, foi o que mais cresceu. Assim, o Brasil ampliou o embarque de matéria-prima em estágios menos processados, o que pressionou o faturamento mesmo diante do volume recorde.
A China foi o principal destino, com 130,8 mil toneladas no semestre, o equivalente a 40,4% da exportação. Apesar da liderança, sua participação diminuiu ante os 43,0% de 2025, com volume praticamente estável. A Nigéria (41,4 mil toneladas, 12,8%) e a Itália (40,0 mil toneladas, 12,4%) apareceram na sequência, seguidas pelo Vietnã (25,9 mil toneladas, 8,0%).
O movimento mais expressivo foi o da Turquia, que saltou de 8,7 para 23,8 mil toneladas, alta de 173,7%, elevando sua participação de 2,8% para 7,3% e absorvendo boa parte do avanço do couro salgado. Já os Estados Unidos, embora com volume modesto (5,6 mil toneladas), geraram US$ 64,5 milhões, o segundo faturamento por destino, em função das compras em couro acabado de maior valor.
A importação de couros e peles é marginal frente à exportação e reforça o papel do Brasil como fornecedor de matéria-prima. No primeiro semestre de 2026, o país importou 31,2 mil toneladas, alta de 1,6% ante 2025, com um custo de US$ 28,1 milhões, queda de 5,9%. O volume das exportações supera a importação em mais de dez vezes.
A pauta de importação é dominada pelo couro salgado, que representou 74,6% do volume (23,3 mil toneladas), seguido pelo wet blue, com 21,8% (6,8 mil toneladas). Trata-se, sobretudo, de matéria-prima destinada ao abastecimento dos curtumes nacionais.
As principais origens no semestre foram o Uruguai, com 13,7 mil toneladas (96,3% do volume sendo couro salgado), e os Estados Unidos, com volume de 12,6 mil toneladas (65,1% do volume sendo couro salgado e 34,9% wet blue). Ambos correspondem a 84,1% do volume das importações.