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O maior produtor de soja do mundo vai produzir na Argentina

Sexta-feira, 5 de agosto de 2011 - 16h34

Blairo Maggi foi governador do estado do Mato Grosso de 2003 a 2010 e atualmente é o maior produtor de soja do mundo. Agora, o ex-governador resolveu investir em arrendamento de terras na Argentina para expandir sua produção.

O político foi considerado um dos 100 brasileiros mais influentes em 2009 pela Revista Época.


O brasileiro Blairo Maggi, hoje reconhecido como o maior produtor individual de soja do mundo, acaba de colocar um pé na Argentina.

André Maggi (pai de Blairo Maggi) e seu grupo agroindustrial familiar fundado por seu pai e do qual é herdeiro junto com quatro irmãos, começou a operar em abril passado como exportador de soja e outras culturas. Além do mais, neste ano-safra, a empresa também vai começar a semear no país (Argentina).

A matriz do grupo está situada em Cuiabá. Maggi possui 11 fazendas e é responsável por 5% da produção de soja brasileira.

Blairo visa semear cerca de 5 mil hectares em campos alugados. De qualquer forma, para os próximos anos, seu objetivo seria superar os 30 mil hectares cultivados.

Por enquanto, o grupo está buscando ganhar força como trading (comercialização). De fato, após um acordo com o Terminal Las Palmas, em Zárate (Buenos Aires-Argentina) , as exportações de grãos começaram a ter vários destinos.

Lá, onde podem operar navios tipo Panamax, a capacidade de carga é de 2.400 toneladas por hora. E no setor de armazenagem a capacidade é de 100 mil toneladas de cereais e 30 mil de pellets e farinha (subprodutos do grão).

No Brasil, onde foi duas vezes governador do Mato Grosso e, agora, é senador do Partido da República, com bom relacionamento com a presidente, Blairo Maggi administra cerca de 210 mil hectares de terra, a maioria própria e tem a soja como principal cultura semeada.

Quando era muito jovem, Blairo já estava trabalhando e semeando soja em terras que seu pai havia comprado no Mato Grosso.

No Brasil, o grupo possui três usinas de esmagamento de soja, uma estrutura portuária própria e possui uma frota fluvial considerada a mais importante do Mercosul. Possui 108 embarcações, sendo 87 delas de grãos.

O grupo agroindustrial está entre as 100 maiores empresas do Brasil e na 12° posição entre os exportadores. Suas vendas estão acima dos US$3 bilhões anuais. No Brasil também está na área de geração de energia. A empresa emprega mais de 3 mil pessoas.

"A presença na Argentina tem haver com o processo de internacionalização do grupo", disse uma fonte. "Este país é o terceiro maior produtor de soja (em todo o mundo, atrás dos Estados Unidos e do Brasil) e a empresa está interessada em crescer aqui", acrescentou.

Além de operar na comercialização de grãos, na Argentina o grupo vai entrar na semeadura nos campos alugados. A intenção é começar com 5.000 hectares.

Em longo prazo...

Em longo prazo o projeto seria muito mais ambicioso. O objetivo é superar em três anos 30 mil hectares.

Nos últimos anos, grupos de sementeiras originados na Argentina como MSU, El Tejar e Los Grobo foram semear no Brasil com suas próprias estruturas. De alguma forma, agora se dá o caminho inverso com o grupo André Maggi plantando no país vizinho.

Blair está "100% dedicado à política", mas há uma gestão que leva adiante a operação agroindustrial. Recentemente, seu nome circulou para preencher um cargo no Ministério dos Transportes do Brasil, a pedido da presidente Dilma Rousseff, mas não aceitou a proposta.

Em 2004, durante uma visita à Exposição Rural de Palermo, Maggi traçou um panorama positivo para a soja em uma entrevista com La Nación e, em particular, em dois países produtores como Brasil e Argentina.

"Há um futuro fantástico para a soja. Como é um produto cujo consumo está crescendo de 3% a 5% ao ano, a Argentina e o Brasil podem continuar com a sua produção" disse naquele momento.

Nem tudo foi luz para o brasileiro. Em 2005, o Greenpeace lhe deu o prêmio "Motosserra de Ouro". Foi pela suposta exploração madeireira. Em seu site, o grupo diz que tem 80 mil hectares de vegetação nativa preservada.

Fonte: La Nación. Por Fernando Bertello. 4 de agosto de 2011. Traduzido, comentado e adaptado por Jéssyca Guerra, analista júnior da Scot Consultoria.


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